<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605</id><updated>2012-01-08T22:56:23.490Z</updated><title type='text'>The Jackal</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>32</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-5462300657875149075</id><published>2012-01-08T18:25:00.001Z</published><updated>2012-01-08T22:56:23.497Z</updated><title type='text'>"Grève"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em que tipo de pessoa me torno quando, para que possa chantagear alguém ou alguma entidade, me sirvo de terceiros, que não hesito em molestar, se isso servir os meus interesses pessoais primários de obtenção de alguma vantagem física ou negocial?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que género de sociedade sustenta os direitos adquiridos que advêm de tamanha crueldade, de ambos os lados da "vedação"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apresento-vos hoje a minha visão daquilo a que se convencionou denominar greve.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A greve, na sua génese, francófona e já há muito bicentenária, serviu para limitar a selvajaria da exploração da classe operária pela ganância lucrativa de empresários sem escrúpulos, que ainda nostalgicamente clamavam pelos períodos áureos da mui conveniente e simpática escravatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em duzentos anos de evolução cognitiva, mais do que uma revolução social, houve um avanço civilizacional que levou a que o respeito pela individualidade humana conduzisse a um bem estar social sem paralelo na História da civilização ocidental.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;À custa de quantos outros povos, e de quanto malabarismo financeiro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A resposta a esta muito complexa mas relevante pergunta é demasiado importante para que a apresente como um subproduto deste tema e, por esta razão, ficará sem reflexão imediata...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda que muito advoguem injustiças e atropelos à legislação laboral vigente, todos concordamos que existe hoje uma proteção&amp;nbsp; aos trabalhadores que nunca existiu no passado, vertida em, nada mais nada menos, que sete artigos da Constituição da República Portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim sendo, em que instrumento se transformou a greve?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essencialmente, em arma de arremesso de relativização do lugar hierárquico de cada corporação na sociedade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só assim se explica que, passadas quase quatro décadas desde a revolução de Abril, tenham sido as classes que mais ergueram a voz, tomaram posições de força, paralisaram repetidas vezes a sua atividade (com mais ou menos prejuízo para a população em geral) e reclamaram junto do poder político, as que conseguiram mais dividendos financeiros (e, infelizmente, consequentemente, sociais) para os seus membros.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me proponho avaliar a importância relativa de um médico (ou senhor doutor... engano-me sempre...), de um maquinista, de um professor, de um piloto da aviação civil, ou de um bombeiro no tecido social de um país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem tão pouco as remunerações que auferem, pois já o fiz em artigos anteriores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Incomoda-me sim a leviandade com que se maltrata todo um povo que se tem que sujeitar aos caprichos de uma corporação ou, em casos verdadeiramente abomináveis, a ameaça camuflada a toda a população como forma de pressão à classe decisora para que obtenham dividendos sectoriais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo justo, com decisores íntegros, a preocupação social com aqueles que de si dependem seria uma extensão natural de todo o modelo laboral, bem como a proporcional (não disse equitativa) distribuição dos resultados do trabalho bem desempenhado ao longo do tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num mundo perverso, os empregadores extorquem, em unidades de trabalho, os seus empregados, guardando para si os êxitos e castigando financeiramente este últimos pelos fracassos, responsabilizando-os exclusivamente pela sua ocorrência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Soares dos Santos dizia ontem, em entrevista a uma cadeia de televisão generalista, que o modelo de negócio que mais confiança lhe dá é o modelo familiar. Não me surpreeende. Por duas razões. Em primeiro lugar, porque a sua empresa é o espelho do sucesso daquilo que defende. Em segundo lugar, porque só com este tipo de laços se pode criar a empatia necessária à vitória da justiça relativa sobre a ganância.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Ainda assim, no momento em que colocamos acionistas incógnitos na equação, fixados na maximização do lucro sem olhar a meios... podemos correr o risco de desvirtuar este paradigma!)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria pois natural, num mundo razoavelmente justo, que os trabalhadores confiassem que os seus decisores tudo fazem para que a sua situação laboral seja a melhor possível. E, no caso estatal, que os portugueses escolhessem para decisores aqueles que lhes dessem garantias de manutenção da justiça relativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que não é aceitável é que esses mesmos portugueses, que reclamam justiça social na hora de eleger, esbracejem depois para se elevar financeiramente, em relação aos demais setores da sociedade portuguesa. Não é aceitável que, graças ao advento da especialização profissional, se explorem as fragilidades de todo o grupo com a ameaça de não execução da tarefa específica que só a alguns foi confiada. Neste capítulo tanta importância têm os médicos de uma cidade, como os indivíduos responsáveis pela recolha de lixo nessa mesma localidade, como os motoristas dos transportes públicos. Todos podem paralisar a sociedade, com prejuízos globais incalculáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podem, mas não é legítimo que o façam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E por não ser legítimo, por ser tão importante o papel que representam, chegou-se à conclusão que algumas profissões não teriam o direito de o fazer. &lt;br /&gt;Concordo inteiramente com esta aproximação. Faço parte de uma das profissões que nunca fará greve, e que jamais necessitará que alguns parágrafos legislativos lhe lembrem esta responsabilidade. Confio que todos, cumprindo o papel para o qual foram corretamente eleitos/escolhidos, tomarão as melhores decisões no sentido do bem-estar global. Que a sociedade é tanto melhor, quanto menor for a pressão imposta para que existam discriminações (positivas ou negativas). Que boas ações, inexoravelmente, proporcionam boas reações. E que tanto melhor será o governo quanto melhores forem os seus cidadãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Considero, no entanto, absolutamente imoral, inaceitável e desrespeitoso para todos os lusitanos, que os responsáveis políticos cedam à chantagem laboral de alguns grupos sociais mal-intencionados (porque necessária à perpetuação do seu próprio ciclo de poder), e com essa ação, desvirtuem o valor relativo das profissões na sociedade, minando a coesão de toda a Nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É tempo de as pessoas perceberem que a luta de uma classe prejudica todas as outras. E que cada vitória sectorial obtida pela chantagem (grevista ou qualquer outra), implica a derrota de todos os restantes portugueses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portugal, ou somos todos, ou não somos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afonso Gaiolas&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-5462300657875149075?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/5462300657875149075/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=5462300657875149075' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/5462300657875149075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/5462300657875149075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2012/01/greve.html' title='&quot;Grève&quot;'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6475236240691078776</id><published>2011-11-28T00:18:00.001Z</published><updated>2011-11-28T00:38:40.117Z</updated><title type='text'>Alimente esta ideia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desconheço se a frase escolhida para o título deste artigo estará protegida por direitos de autor. Decidi usá-la por analogia à campanha do banco alimentar que decorreu este fim-de-semana, um pouco por todo o nosso país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senti desde sempre que estas soluções de recurso (dádivas sazonais) soam a costuras mal efetuadas numa manta que deveria ser constituída por outro tipo de fibras, que não fossem tão atreitas à eclosão de fendas. Em suma, que deveria ser o Estado e não o indivíduo a assumir a função social de erradicação da pobreza, ou minoração dos seus efeitos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bombardeiam-nos hoje com as famosas gorduras do Estado, que se devem repensar todas as suas funções (leia-se eliminação da maioria delas), como se a supressão fosse a solução para um problema de má execução e inexistente controlo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falemos então de gorduras e calorias, para salvaguardar a minha consciência de acusações de falta de atualidade temática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos fazer um ligeiro exercício mental de alegoria familiar, de modo a apresentar a minha visão sobre o assunto que hoje vos trago.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No seio familiar (aquele conceito que devia ser a pedra basilar de onde toda a sociedade deriva), é consensual a organização de cada refeição segundo um padrão comunitário, em que todos beneficiam do trabalho executado uma só vez.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E porque é que, ao longo dos tempos, foi este o padrão seguido e não uma versão individualista de "cada um prepara (ou caça) o seu"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou melhor, porque é que não se tornou hábito que o cabeça de casal distribuisse uma quantia monetária a cada elemento do agregado familiar, para que este pudesse ir adquirir os seus alimentos onde bem entendesse?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simplesmente porque, subjacente à primeira interrogação, existe uma margem enorme de ineficiência e desperdício, enquanto que a segunda se apresenta, financeiramente, absolutamente ruinosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A família é um organismo muito inteligente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pena é que as pessoas que constituem estas famílias, que tão boa conta do recado dão entre portas, não o consigam fazer quando se organiza uma macro-estrutura, neste caso o Estado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pense em dois milhões de euros. Parece-lhe muito ou pouco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já sei... depende da perspectiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se eu lhe disser que é o valor aproximadamente pago, diariamente, pelo Estado, por uma refeição para os seus funcionários (ligeiramente acima dos quinhentos mil, no início deste ano).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O famoso subsídio de refeição, um subsídio diário que tem a natureza de benefício social a conceder pela entidade empregadora pública como comparticipação das despesas resultantes de uma refeição tomada fora da residência habitual, nos dias de prestação efetiva de trabalho (no valor de 4,27€ em 2011), representa a execução do plano rejeitado na segunda interrogação à economia familiar, que acabei de caracterizar de ruinoso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas para além de ruinoso, é ainda ineficiente, porque centuplica o esforço para que se atinja um único objectivo... a saciedade destes seres humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual então a verdadeira solução para o problema?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na minha opinião, na criação de salas de refeições comunitárias, primariamente criadas para os trabalhores da administração pública, mas abertas a toda a população, como passarei a explicar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começo pelo grande problema que esta solução coloca... a perda de receitas do setor da restauração. Necessariamente, precisaríamos de muito menos... mas é disto mesmo que estamos a falar, de aumento de eficiência, de atingir os objetivos utilizando menos recursos. Passariam a nichos de mercado, oferecendo alternativas mais exclusivas e exóticas (não necessariamente chinesas) às refeições tomadas fora de casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A grande mais valia empresarial deste projeto constituir-se-ia na (re)vitalização do setor primário de cada região deste país depauperado deste absoluto valor estratégico nacional.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta solução passaria pela aquisição preferencial dos produtos alimentares no mercado local, fator potenciador do empreendedorismo individual, uma vez que o escoamento dos géneros alimentícios estaria desde logo parcialmente garantido, a quem por esta área de negócio decidisse enveredar. Portugal, terra de pequenas e médias empresas, poderia assim ver florescer novos produtores de carne, pão, ovos, legumes, lacticínios, peixe, entre outros bens essenciais, readquirindo uma autonomia confortável para os tempos de agrura global que surgirão quando os "sapiens sapiens" superarem os dez mil milhões nesta esfera que não aumenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como já decerto depreenderam desta dissertação, desapareceria o valor do subsídio de refeição, usando o Estado o dinheiro para diretamente fornecer a refeição a todos os seus trabalhadores. Só neste pequeno processo poupar-se-ia pelo menos, diariamente, metade do dinheiro atualmente dispendido. Neste caso, um milhão de euros por dia que certamente seriam suficientes para saciar também todos os indigentes abrangidos pelas múltiplas ações do banco alimentar e seus derivados, e que diariamente dependem destes esforços "individuais" para evitarem uma humilhante (para todos nós) subnutrição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto à restante população não indigente, teria também acesso a este serviço, a preços de margem de lucro residual, que apenas cobrisse a sustentação do sistema. Falo neste caso da remuneração dos trabalhadores afetos a esta atividade, bem como à manutenção das infraestruturas de apoio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos óbvios ganhos de produtividade somar-se-iam os ganhos comunitários, pela socialização e aproximação de todos os indivíduos da comunidade, bem como da possibilidade de coexistência de fóruns não oficiais de discussão pública dos assuntos locais, induzindo as pessoas à prática de uma cidadania que se pretende ativa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para além de todas as vantagens enumeradas, da mais valia nutricional de condicionar as pessoas a uma alimentação saudável (por se terem que sujeitar a uma dieta equilibrada, ao invés da dieta do impulso caprichoso), bem como da moralização do Estado na sua função social, solucionar-se-ia ainda, do ponto de vista de quem cozinha, um dos maiores dilemas dos dias de hoje...&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;... decidir aquilo que será o almoço de amanhã!!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bom apetite,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Afonso Gaiolas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6475236240691078776?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6475236240691078776/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6475236240691078776' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6475236240691078776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6475236240691078776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/11/alimente-esta-ideia.html' title='Alimente esta ideia'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-1616884193576348010</id><published>2011-11-01T19:07:00.000Z</published><updated>2011-11-01T19:07:35.544Z</updated><title type='text'>O estado do Conselho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia 25 de Outubro de 2011, o senhor Presidente da República Portuguesa convocou mais uma vez o Conselho de Estado para que o aconselhasse no seu processo decisório dos destinos da Nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordo com esta adordagem descentralizada e plural de auscultação de opiniões que antecede o processo de tomada de decisões, especialmente se tão importantes como as que a figura maior do Estado Português necessita de tomar ao longo do seu mandato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estranho, no entanto, a composição do dito Conselho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estranho que a alínea d) do artigo 145º da Constituição da República Portuguesa estabeleça ser competência do Conselho de Estado a pronunciação sobre a declaração de guerra ou a feitura da paz... e que o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas nele não tenha assento permanente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em contrapartida, que o poder legislativo esteja representado numa proporção duas vezes superior ao poder executivo e três vezes superior ao poder judicial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não questiono a mais-valia intelectual de cada um dos membros atuais do Conselho (por inerência, designados ou eleitos), mas poucos terão os conhecimentos técnicos e a visão estratégica, do ponto de vista militar, que a décima primeira figura na hierarquia do Estado Português detém, forjada ao longo de mais de três décadas de serviço militar incondicional à Nação Portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poder-se-ão validar alguns dos argumentos que sustentam a especificidade da Casa Militar da Presidência da República, como órgão de apoio ao Presidente no exercício da sua função de Comandante Supremo das Forças Armadas, e nesse fórum ser mais adequada a discussão técnica do assunto que anteriormente referi, mas será absolutamente essencial que a visão militar seja vertida no processo de decisão (necessariamente político) de declaração de guerra ou feitura da paz com outras Nações ou Estados, que terá lugar nas reuniões do Conselho de Estado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este assunto, tal como a declaração de Estado de Sítio, que naturalmente necessitará de aconselhamento militar (uma vez que potencialmente pode estar envolvida uma agressão efetiva ou iminente por parte de uma potência estrangeira), são demasiado importantes para o destino de um país, para que seja ignorada neste Conselho, a opinião do maior estratega militar no activo. Tanto mais que se estabelecerá a subordinação das autoridades civis às autoridades militares, ou à sua substituição por estas, na eventualidade de uma ocorrência desta natureza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A isenção e a imparcialidade são valores terrivelmente difíceis de alcançar por um ser humano. Faz parte da nossa natureza imperfeita, a incapacidade de sermos absolutamente imparciais nas decisões que tomamos ao longo da nossa vida. Contudo, todos devemos fazer um esforço contínuo de aproximação progressiva a este patamar de justiça relativa, especialmente se detivermos poder e responsabilidade sobre outros seres humanos, para que as variáveis que controlamos possam demonstrar que o interesse pessoal não interferiu em decisões que afetam a comunidade que de nós depende.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Afonso Gaiolas&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-1616884193576348010?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/1616884193576348010/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=1616884193576348010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1616884193576348010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1616884193576348010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/11/o-estado-do-conselho.html' title='O estado do Conselho'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6958585480357624513</id><published>2011-06-29T20:40:00.000+01:00</published><updated>2011-06-29T20:40:52.373+01:00</updated><title type='text'>Ideias que dão frutos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se hoje, apenas porque podia, por um qualquer devaneio mental menos ponderado, decidisse privatizar os metros cúbicos de ar que pairam sobre a sua cabeça?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E se, em consequência de tal acção, o obrigasse a pagar à minha recém-constituída empresa, uma taxa de inalação da preciosa mistura de azoto, oxigénio, árgon, dióxido de carbono e outros gases menos abundantes, que constituiriam a minha mais-valia bolsista - a atmosfera (marca registada por mim!).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas iria mais longe ainda... para o forçar a adquirir os meus metros cúbicos de ar puro (a preços condizentes com uma empresa que detém o monopólio de exploração de um bem essencial), convenceria o poder local, regional e nacional da necessidade de injectar, nos espaços onde a minha jurisdição não me permitisse exercer tão nobre actividade profissional, uma replicação da atmosfera de Titã, que o metano é um gás que também deve merecer lugar de destaque na arquitectura ambiental e paisagística de um país.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não lhe restaria outra opção... senão pagar para poder continuar a viver. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O radicalismo é terrível e tem destas coisas. Faz parecerem ridículos exemplos que não nos são familiares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E em relação àqueles com que lidamos todos os dias, e que nos habituámos a aceitar como fatalidades?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vivemos hoje um cenário de grande sufoco financeiro. À sobrecarga de impostos, adiciona-se a mistura explosiva de congelamento de remunerações e aumento de inflação.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simultaneamente, a dieta mediterrânica sofre ferozes ataques das mega cadeias de restauração alimentar neo&lt;b&gt;colon&lt;/b&gt;izadoras (que, fazendo juz ao nome... contribuem para o aumento da incidência do cancro do cólon na população), e nós, os principais interessados em manter tão saudável, mas sobretudo económico estilo de vida, nada fazemos para contrariar o que parece ser um ridículo destino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A alegoria que vos apresentei no início do artigo tem o intuito de abanar consciências para um dos maiores exemplos de hipocrisia humana com que a nossa auto-proclamada avançada sociedade nos presenteia, e que foi sendo&amp;nbsp; passivamente aceite ao longo de múltiplas gerações de Portugueses.&lt;br /&gt;Se é verdade que todos se indignariam perante tamanha atmosférica atrocidade capitalista , por que razão não se incomodam se negarmos à população que não é dona de um pedaço de terra, o acesso a um bem de primeira necessidade que a&amp;nbsp; natureza nos oferece desde o início dos tempos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas árvores de fruto conhece plantadas em espaços públicos, acessíveis a todos os cidadãos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dir-me-ão (sem surpresa, porque o vosso interlocutor é alentejano) que diversas localidades adoptaram o citrino como imagem de marca das suas ruas. Mas, surpresa das surpresas, são amargas as laranjas ou tangerinas que essas árvores nos oferecem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia ser pior?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Julgo que não.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque o racional maior de tamanha brutidade é a protecção dos produtores frutícolas e o seu negócio (lembram-se da marca registada atmosfera?)!!&lt;br /&gt;Porque mesmo sem qualquer tratamento priveligiado, uma árvore autóctone florescerá e dará maravilhosos frutos, de fazer inveja ao Continente, Pingo Doce e afins, fazendo cair por terra o argumento da necessidade de mão-de-obra adicional.&lt;br /&gt;E porque o argumento do roubo nocturno e contrabando não faria sentido, uma vez que estaríamos a falar de algo desprovido de valor local (por excesso de oferta).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Imaginem novo exemplo, para explicar este nível de hipocrisia.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se sentiria se, no parque onde habitualmente brinca com os seus filhos, cortassem a água do bebedouro público, com a justificação de que seria necessário proteger o negócio de venda de água engarrafada da esplanada contígua ao dito espaço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como é que, sendo certo que todos os exemplos anteriores nos indignam, no caso de se tratar de assegurar gratuitamente à população um precioso complemento nutricional, fonte de vitaminas, minerais, antioxidantes, entre outros componentes benéficos ao nosso organismo, assobiamos para o lado e fingimos não ver?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou pior, estamos tão embrenhados nas nossas vidinhas tão excitantezinhas, que nem nos apercebemos de quão estupidificados nos tornámos ao acharmos isto "normal"!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou apostado em exercer o meu círculo de influência para alterar o que conseguir, enquanto puder, para que o mundo fique um pouco melhor do que quando o encontrei (eu, o senhor Bear Grylls e todos os que abraçaram o espírito do escutismo como forma de vida). E nesse sentido, exorto-vos a, por um lado, intelectualmente promover este ideal de partilha comum e, por outro, fisicamente actuar à vossa escala, para mudar as mentalidades tacanhas de tantos intervenientes políticos do nosso país. No meu caso, carinhosamente protejo e sacio a sede a uma figueira alentejana imigrada em terras vidreiras, até que possamos todos, família, vizinhos e passarada indígena usufruir das propriedades laxantes, diuréticas e desintoxicantes de tão apreciado fruto, alimento preferencial dos atletas da Grécia Antiga e do meu pai também!&lt;br /&gt;--- &lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;"A mão que embala o berço é a mão que domina o mundo"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Tente estender o seu berço para além da descendência. Verá que há muitas mais pessoas que também gostam / precisam de ser embaladas. No final, domine o mundo sem ceder ao lado negro da Força!)&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;---&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;---&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6958585480357624513?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6958585480357624513/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6958585480357624513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6958585480357624513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6958585480357624513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/06/ideias-que-dao-frutos.html' title='Ideias que dão frutos'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-8968883898158095595</id><published>2011-06-12T21:07:00.000+01:00</published><updated>2011-06-12T21:07:21.249+01:00</updated><title type='text'>Período de reflexão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminou mais um sufrágio nacional.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez mais, escolhemos quem nos representará na acção governativa, durante os próximos anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Verdes e vermelhos, azuis e laranjas, pretos e brancos, todos se esforçaram por atrair a atenção dos cidadãos votantes. Uns com mais, outros com menos recursos financeiros, todos desejaram dar um ar da sua graça e expor publicamente os motivos pelos quais mereceriam a confiança dos portugueses para que lhes fosse entregue a função de comandar o navio em tão conturbado oceano de dívidas e incertezas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tenciono, nem hoje nem provavelmente nos próximos vinte e cinco anos, politizar o meu raciocínio falado ou escrito. Não será pois, esse, o objectivo deste artigo. Tão-somente me deterei no famigerado período de reflexão que, em virtude do seu incumprimento, foi este ano responsável por algumas detenções e levantamento de autos de contra-ordenação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz então a lei eleitoral que, desde a véspera do dia das eleições até ao término do período de votação na região autónoma dos Açores (por a hora legal estar atrasada 60 minutos em relação à plataforma continental de Portugal), não é permitida a execução de propaganda eleitoral de qualquer espécie. Quer isto dizer que o incentivo ao voto discriminado está terminantemente proibido durante este período.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diz também outra lei, desta feita a 97/88 de 17 de Agosto - Afixação e inscrição de mensagens de publicidade e propaganda, no número 2 do artigo 6º que, quanto aos meios amovíveis de propaganda, &lt;i&gt;"compete às câmaras municipais, ouvidos os interessados, definir os prazos e condições de remoção dos meios de propaganda utilizados."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou absolutamente concordante com o texto da primeira lei, por julgar ser necessário uma pausa em todo o ruído de fundo, para que todos possam conscientemente julgar os protagonistas do processo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em relação à segunda lei, denota claramente um desajuste face à cultura mediterrânica de dobragem de regras em função da conveniência pessoal ou da colectividade que se representa. Não é admissível que se dê espaço de manobra às entidades políticas para que, utilizando as mais variadas formas de pressão e subterfúgios, possam protelar a retirada de toda a propaganda gráfica dos espaços públicos do nosso país, uma vez finda a campanha eleitoral.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Graças a este conveniente parágrafo legislativo, conseguimos assistir ao inqualificável paradoxo eleitoral de, ainda que sendo proibida a propaganda no dia da votação, o caminho que se percorre até à urna&amp;nbsp; poder ser um calvário visual de vota neste, vota naquele, ou vota ainda naqueloutro em cartazes megalómanos (ah... mas com garantia de inviolabilidade a quinhentos metros da mesa de voto... )!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vou-me socorrer da redacção do número 1 do artigo 141º&amp;nbsp; da lei 14/79 de 16 de Maio - Lei Eleitoral da Assembleia da República para enfatizar tudo o que acabei de defender: - &lt;i&gt;"aquele que no dia da eleição ou no anterior fizer propaganda eleitoral por qualquer meio será punido com prisão até seis meses e multa de 500$ a 5.000$."&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei na dúvida se estaria a ser injusto com as pessoas ou instituições. É que na minha opinião, em última instância, também o presidente da câmara teria que ser responsabilizado, caso tivesse definido como prazo limite para a retirada da propaganda, uma data subsequente ao início do primeiro nanossegundo do período de reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não, porque o vocábulo propaganda significa mesmo o conjunto de actos que têm por fim propagar uma ideia, opinião ou doutrina&lt;i&gt;. &lt;/i&gt;E, claramente&lt;i&gt; &lt;/i&gt;é exactamente disso que se trata, a quinhentos e um metros da urna de voto!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos nos habituámos a ver pinturas murais, cartazes megalómanos e outros de menores dimensões que perduram por vezes meses e anos sem que seja exigida a sua retirada ou responsabilizadas as instituições incumpridoras no processo de remoção. Por nos termos habituado, passa a ser admissível?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que dizer quando a normalidade da ilegalidade consegue chegar a letra de lei?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estupefactos?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Também eu!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixo-vos então a transcrição do número 2 do artigo 139º da mesmíssima Lei Eleitoral da Assembleia da República, que nos fala do dano em material de propaganda eleitoral: - &lt;i&gt;"Não serão punidos os factos previstos no número anterior &lt;/i&gt;(destruição do material de propaganda)&lt;i&gt; se o material de propaganda houver sido afixado na própria casa ou estabelecimento do agente sem o seu consentimento &lt;u&gt;ou contiver matéria francamente desactualizada.&lt;/u&gt;"&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, a lei reconhece aqui tacitamente a existência de propaganda não removida de eleições anteriores (que por ter atravessado o período de reflexão se constitui ilegal), apenas porque quer objectivar&amp;nbsp; a ilibação de qualquer pessoa de responsabilidades perante a sua destruição. No meu entender, devia era compensar pecuniariamente esse cidadão por ser ele a executar uma tarefa que a instituição política não realizou, e que o Estado se reconhece - em versão legislada - incompetente para solucionar!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este é o tempo ideal para explicar às pessoas que a Nação Portuguesa assenta numa base sólida de igualdade perante a lei. Mas mais importante que isso... explicar aos seus redactores a bidireccionalidade da palavra igualdade, de modo a salvaguardar a permanente garantia de construções frásicas de carácter legislativo isentas de vontades pessoais, sindicais ou partidárias. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- - - &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;"Fecha os olhos para não seres cego."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Virgílio Ferreira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;- - -&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um abraço,&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Afonso Gaiolas &lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt; &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-8968883898158095595?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/8968883898158095595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=8968883898158095595' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8968883898158095595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8968883898158095595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/06/periodo-de-reflexao.html' title='Período de reflexão'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-7436364926857576543</id><published>2011-04-15T00:26:00.005+01:00</published><updated>2011-04-16T00:43:17.078+01:00</updated><title type='text'>Remuneração</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ddGVxNbeTR4/TajCHLWZs4I/AAAAAAAAAGk/CLhGnFdASMo/s1600/remunera%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="110" src="http://2.bp.blogspot.com/-ddGVxNbeTR4/TajCHLWZs4I/AAAAAAAAAGk/CLhGnFdASMo/s400/remunera%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Pertence ao restrito grupo de cidadãos que considera ser correctamente remunerado?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou, pelo contrário, à esmagadora maioria que considera ignóbil a quantidade de papel-moeda que recebe como contrapartida do trabalho que desempenha?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se pertence ao clube dos sortudos sobre os quais falei em primeiro lugar, provavelmente receberá um ordenado tão obsceno que não tem coragem de reclamar do seu valor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No meu caso, apesar de não me encaixar no perfil de obscenidade, consideraria equacionar ser correctamente remunerado em valor absoluto... mas decididamente muito subvalorizado em valor relativo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este tema do dinheiro, que tanta importância acabou por ter no final do século passado e primeira década deste que agora desponta, encaixa na perfeição no momento de sufoco financeiro que o país atravessa. Período este que só demonstra a falta de discernimento de quem gere os destinos de um povo (e já agora, do povo que se habituou a gritar e espernear para conseguir alcançar alguma mesquinha vantagem sectorial ou sindical). Se é admissível que todos se tenham deslumbrado pela acção governativa desregrada dos primeiros anos do pós-25 de Abril, recebendo como castigo um puxão de orelhas do tamanho de um fundo monetário que "supostamente" representa o mundo, reincidir no erro é manifestamente patético... e esgoto os adjectivos na qualificação da necessidade de uma terceira intervenção.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas é exactamente este o ponto em que nos encontramos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poque perdemos, ao longo de quase quatro décadas, a noção do que valíamos e do que a Nação dispunha para nos recompensar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque subvertemos, invertemos e esquecemos o verdadeiro significado de ser, ter e dever!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E porque julgo que todos estes conceitos andam hoje perigosamente de mãos dadas, importa que se apliquem critérios de justiça e moralidade que não firam a coesão do tecido populacional que há tantos séculos habita tão precioso solo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para que não&amp;nbsp;venha mais tarde a ser acusado de inconsequente e superficial, apregoando apenas uma moralidade&amp;nbsp;vazia de operacionalização,&amp;nbsp;exponho-vos&amp;nbsp;a minha visão do que deve ser o programa de remunerações do Estado, ao longo de toda a vida de um cidadão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro passo no sentido da criação deste programa é o estabelecimento de um valor monetário que, multiplicado por dois (estabelecendo assim como padrão familiar desejável a existência de duas pessoas adultas), possa constituir uma remuneração suficiente para que uma família possa viver condignamente (sem luxos) e educar dois filhos até à idade adulta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assumido este valor (que se assemelhará ao salário mínimo nacional - SMN... apenas no nome), posso iniciar o raciocínio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao nascer, todas as crianças portuguesas receberiam do Estado uma conta poupança (resguardada da voracidade privada na CGD, o tal banco que a tantos apetece privatizar), no qual seria depositado um valor mensal que, partindo de um valor simbólico, cresceria numa progressão aritmétrica, até atingir o valor do SMN com o advento da idade adulta  - os 18 anos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí, dar-se-iam as primeiras escolhas pessoais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem decidisse que o 12º ano de escolaridade seria o seu último numa sala de aulas, deixaria de receber este valor, pois seria integrado no mercado de trabalho indiferenciado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os que decidissem prosseguir os estudos, continuariam a receber sempre o mesmo valor (SMN), até que terminassem a licenciatura (21 anos), o mestrado (23 anos) ou o doutoramento (25 anos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O valor atribuído pelo Estado a estes alunos cessaria imediatamente em caso de falta de aproveitamento escolar ou mau comportamento, em contexto escolar ou fora dele.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Suspeito que resolveríamos três problemas de uma vez só, mas é só mesmo uma suspeita...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O usufruto deste dinheiro seria pessoal, intransmissível e cativo até à idade adulta, altura em que o jovem teria a prerrogativa de lhe dar o destino que mais lhe aprouvesse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ideia seria fornecer as ferramentas necessárias a um início de vida activa sem recurso ao crédito (ou de uma forma muito limitada), quer para a auto-empregação, quer para acesso ao mercado imobiliário, gerando um potencial de autonomia, iniciativa e empreeendedorismo a toda a população jovem portuguesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passada a idade da formação, entramos agora na fase do mercado de trabalho estatal. O mercado privado fica obviamente de fora deste ensaio, pois aqui deve funcionar a lei da oferta e da procura, embora seja ainda assim legítimo recomendar moralidade na luta pelos talentos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O segundo grande passo é o estabelecimento de um tecto máximo de remunerações estatais que, a meu ver, se deverá situar num valor 10 vezes superior ao SMN, estando-lhe permanentemente indexado. A este valor poderão potencialmente aceder todos os cidadãos doutorados ou que desempenhem funções de reconhecido mérito e elevada exigência intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será pois essencial estabelecer, sem ceder a quaisquer formas de pressão, uma equiparação de profissões, com base nos critérios estabelecidos anteriormente, e nunca com base em pressões sindicais, sectorais ou de qualquer outra espécie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos cidadãos com o grau de mestre e com profissões equiparadas, o tecto máximo restringir-se-ia a 7 vezes o valor do SMN, aos licenciados 5 vezes e aos indivíduos apenas com o 12º ano, independentemente da profissão escolhida, 3 vezes o SMN.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estes valores, específicos para cada profissão, poderiam ser atingidos aos 45 anos, ou seja, bem no coração da vida activa de cada cidadão, numa altura em que, potencialmente, mais necessidade de financiamento existirá na família. Evitar-se-ia, assim, que o tecto máximo da remuneração fosse atingido apenas 1 dia antes da reforma, numa altura em que a importância e necessidade do dinheiro decresceu já radicalmente (grandes investimentos pagos e filhos em idade adulta e autónomos financeiramente).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A reforma, início da fase de merecido descanso, meditação e contemplação perante o que a vida tem para realmente oferecer, começaria impreterivelmente aos 65 anos, de modo a que, em condições normais, restassem cerca de 20 anos de vida a cada pessoa(assumindo, para este estudo, 85 anos a idade da esperança média de vida portuguesa, sem distinção de género) para que desfrutasse deste novo momento da vida com bem entendesse. O objectivo seria transmitir às pessoas o ideal de que o trabalho não é O propósito da vida, não fazendo sentido apenas sobreviver para cumprir esta obrigação social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Regressando à evolução monetária desde a entrada no mercado de trabalho, verificamos que, existindo uma progressão linear desde a entrada no mercado de trabalho até aos 45 anos, altura em que, potencialmente, se atingirá o topo monetário da carreira, essa progressão será tanto mais elevada quanto mais estudos tivermos atingido (por descolarmos mais tarde do SMN). Em contrapartida, quem ingressar mais cedo no mercado laboral, poderá começar imediatamente a evoluir monetariamente na direcção do seu topo salarial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Respeitando a coerência do artigo anterior, ao invés de subidas mais acentuadas em função do bom desempenho profissional, seria a progressão anulada em anos de fraco desempenho, comprometendo imediatamente a chegada ao topo, que seria diminuído numa directa proporção da quantidade de anos retido em consequência do mau desempenho profissional.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admitindo, no entanto, que um trabalhador, ao longo da sua vida activa, continuamente deu o melhor de si no serviço que escolheu desempenhar em prol da comunidade, veria a sua linha remuneratória permanecer no seu topo específico (em função da sua profissão, habilitações e desempenho ao longo da vida), até ao dia em que reformasse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entramos finalmente na fase pós-laboral, ou da reforma.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já referi há pouco que seria inegociável a entrada nesta fase noutra idade que não os 65 anos, tendo explicado a razão filosófica por detrás desta escolha. Contudo, importa mencionar que acho estupidificante que se cedam a hipóteses puramente financeiras e, acima de tudo, egoístas, que levem os governantes a equacionar adiar a idade da reforma dos trabalhadores activos, apenas para alimentar alguns pensionistas que, durante três décadas, criaram leis à medida dos seus interesses pessoais, que salvaguardassem uma velhice dourada, vergonhosamente irresponsável porque ignorando conscientemente o pesado fardo que ofereceriam às gerações futuras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tentando não cometer os erros do passado, e mantendo simultaneamente um grau de justiça relativa e recompensa, não seria defensável que se sustentassem os valores da remuneração da vida activa, aquando da entrada na reforma, uma vez que já não se desempenha oficialmente  qualquer actividade. Assim, neste modelo remuneratório, a partir do dia da reforma, iniciar-se-ia uma trajectória descendente linear, desde o topo salarial com que atingimos a reforma, qualquer que ele fosse, até ao valor do SMN, a atingir aos 85 anos, idade que convencionei para a esperança média de vida. Para além desta idade, seria mantido constante o valor do SMN, até que a natureza decidisse seguir o seu curso natural.&lt;br /&gt;Este modelo contemplaria algumas variações à sua linearidade, em virtude das opções pessoais de cada um. Se um jovem decidisse iniciar um ano sabático após o final dos seus estudos, todo o gráfico escorregaria um ano, estando o topo da carreira apenas alcançável aos 46 anos. Durante esse ano de transição entre os estudos e o mercado de trabalho, o seu rendimento estatal seria nulo, assim permanecendo até que o seu serviço público se iniciasse.&lt;br /&gt;Do mesmo modo, se a opção fosse o ingresso no mercado privado, a remuneração estatal manter-se-ia nula desde o final dos seus estudos até que atingisse os 85 anos, altura em que voltaria a receber o SMN vigente na altura.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estando consciente da polémica que&amp;nbsp;todas estas&amp;nbsp;medidas gerariam, permaneço convicto de que só deste modo se poderá fazer uma revolução silenciosa baseada, &lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: yellow;"&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;não em valor... mas em &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: white;"&gt;valores.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="background-color: blue;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-7436364926857576543?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/7436364926857576543/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=7436364926857576543' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7436364926857576543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7436364926857576543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/04/remuneracao.html' title='Remuneração'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ddGVxNbeTR4/TajCHLWZs4I/AAAAAAAAAGk/CLhGnFdASMo/s72-c/remunera%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-916855734383089603</id><published>2011-03-13T22:36:00.009Z</published><updated>2011-03-14T11:27:28.527Z</updated><title type='text'>Premiar compensa?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As questões do mérito, da premiação e do castigo tomaram, ao longo dos séculos, diferentes proporções na medida da educação das crianças e jovens de todas as civilizações. Todas, é certo, utilizadas na convicção de melhor fornecer à população uma medida de justiça e recompensa face ao esforço individual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estas práticas tiveram, naturalmente, um efeito bidireccional de contágio à idade adulta, nas mais variadas situações onde é requerida a avaliação do mérito individual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste, como noutros assuntos, se nos encontrarmos no fluxo da corrente, dificilmente algo nos espanta ou questiona, pois tudo está normalizado, de acordo com os padrões que a generalidade das pessoas assimilaram como vigentes. Contudo, se a nossa convicção é divergente, é muito fácil que as tentativas de desmoronamento psicológico se sucedam, pois quebrar o "status quo", significa, para a esmagadora maioria, uma inoportuna saída da sua zona de conforto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este artigo começa com a a finalização da leitura de um outro, numa célebre revista destinada a pais inseguros, mina de ouro para psicólogos "la palissianos".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Rezava então a história que um pobre diabo, aluno medíocre na escola, ao qual tinha sido prometida uma moto no caso de passagem de ano (acentuadamente uma história a preto e branco, tão distante já vai o stress escolar com o fantasma da retenção na mesma classe) e que, pese embora não ter atingido o objectivo, se deleitou ainda assim com a belíssima aceleração da dita motoreta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teceram-se as mais variadas considerações acerca da gravíssima falha dos pais enquanto educadores, que o premiaram, mesmo sem merecimento, numa euforia de razão que devorou mais do que uma página da dita publicação mensal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não desdenhei do artigo... mas fez-me vir à superfície a convicção de quão distante estou desta maioria que educa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Prometer um prémio para a execução de uma tarefa que é, por definição, suposto concretizarmos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É neste momentos que agradeço a clarividência de meus pais neste campo específico da educação como, em boa verdade, em tantos outros, alguns deles só ao longo dos anos da idade adulta aprendi a valorizar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta à pergunta anterior é NÃO!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porquê?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque mina a base referencial de educação e justiça.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deve um pai receber um prémio por acarinhar os seus filhos, quando esse é o seu dever?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deve um piloto receber alvíssaras quando executa uma aterragem segura, quando é essa a sua obrigação?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deve um aluno ser recompensado por ter boas notas (nem menciono o chavão "passar de ano", por ser demasiado degradante para uma sociedade que se queira evoluída e minimamente exigente para consigo mesma) quando é essa apenas a sua incumbência durante todo o ano lectivo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Definitivamente... não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, pela mesma ordem de ideias, sou terminantemente contra os prémios e bónus, quer sejam de produtividade, quer por cumprimento de objectivos pré-definidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que maneira mais astuta de minar todo o sistema e incutir um factor perverso na complexa engrenagem que é o sistema de remunerações face ao trabalho que cada um desenvolve na sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No presente sistema (o dos bónus e prémios), recompensa-se o trabalho bem feito.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quanto ao mal feito...?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recompensa-se pelo pagamento do vencimento natural!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal como um pai deve estar permanente empenhado em oferecer tudo o que intelectualmente possui à sua descendência e, sendo esse apenas o seu trabalho, não esperar receber mais do que o amor incondicional de seus filhos, também dele não se espera menos do que o total empenho em qualquer outra tarefa social, neste caso remunerada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nesta ordem de ideias, o que quererá dizer o bónus?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que se reconhece que as pessoas não dão o melhor de si nas tarefas que lhes são cometidas, sendo portanto necessário oferecer algo mais para que verdadeiramente se esforcem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou significará que, bastando ser medíocre (aquele que, tendo potencial, o não aplica por desleixo ou incúria) se receberá o ordenado previsto para a função desempenhada?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou tentar ainda ignorar os que, mesmo sendo medíocres, recebem, por definição estatutária, os referidos bónus e prémios (o tal exemplo do infeliz rapaz e a sua motocicleta).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É este o espelho de uma sociedade onde a remuneração se dá por garantida, independentemente do esforço, não se castigando o laxismo nem a falta de empenho. Uma sociedade onde cada um só dará o seu melhor e se tornará mais produtivo, se houver recurso a chantagens pecuniárias. Uma sociedade onde, por outro lado, se reconhece tacitamente que a remuneração é indigna do esforço exigido, e assim se oferecem bolos-rei de final de ano para fazer esquecer tamanha tacanhez, malabarismo que torna Portugal, ano após ano, num dos países onde mais se acentua o fosso entre a remuneração dos gestores de topo e a generalidade dos trabalhadores indiferenciados. Em qualquer dos casos, é a transparência que perde. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Num sistema justo, não existirão manobras de diversão, nem remunerações/recompensas injustas (por defeito ou por excesso). Existirá a convicção de que será justo auferir um determinado valor face ao trabalho desempenhado, mas que não será exigido menos que o total empenhamento individual na execução de cada tarefa social.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só assim poderemos passar, transversalmente, do rótulo de geração apoucada... para uma orgulhosa geração de descendentes da espada de dois metros de Henriques!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-916855734383089603?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/916855734383089603/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=916855734383089603' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/916855734383089603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/916855734383089603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/03/premiar-compensa.html' title='Premiar compensa?'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6614294308029034299</id><published>2011-02-28T17:32:00.004Z</published><updated>2011-03-01T23:49:43.474Z</updated><title type='text'>Um interesse desinteressado</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Nestes dias turbulentos, em que sistemas políticos caem à mesma velocidade a que sobem as décimas dos juros da nossa dívida pública, recuperei do meu baú de projectos utópicos, aquilo que penso ser a melhor alternativa aos sistemas políticos com que os gestores do mundo nos presenteiam nos dias de hoje.&lt;br /&gt;Há muito tempo que defendo que os sistemas de gestão de seres vivos devem ser tanto mais inflexíveis e rígidos, quanto mais irracional e mal formada for a massa a gerir mas, por oposição, tanto mais abertos e flexíveis, quanto melhor for a formação, idoneidade e racionalidade dos mesmos indivíduos.&lt;br /&gt;Veja-se o exemplo familiar, que espelha na perfeição esta teoria, e me evita assim a utilização de regimes políticos reais, sobre os quais não pretendo tecer quaisquer considerações.&lt;br /&gt;Existe, no seio familiar, uma hierarquia muito bem definida, em que os pais são muito autoritários e rígidos, enquanto os seus filhos estão no processo imberbe de formação e aquisição de valores. Gradualmente, à medida que se assiste a um processo de solidificação da personalidade segundo os valores de humanidade e honorabilidade pelos quais é suposto um ser humano reger-se, os processos de gestão e decisão familiar tornam-se cada vez mais descentralizados e igualitários, num cenário em que as diferentes vozes serão cada vez mais tidas em consideração, na hora das decisões familiares. Este processo culminará na fase de criação de um conselho familiar, entidade não reconhecida oficialmente, mas que manterá o equilíbrio saudável deste grupo de indivíduos ao longo das décadas subsequentes.&lt;br /&gt;A cada chegada de novos membros, segue-se novo processo de inserção, num movimento contínuo que tenderá para a perfeição, na medida em que cada indivíduo será melhor que o seu predecessor, por incorporar todas as lições aprendidas pelos seus antecedentes, mas também porque utilizará esses conhecimentos para melhorar o próprio sistema familiar em que se insere.&lt;br /&gt;E qual o maravilhoso segredo do sucesso desta fórmula?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="FONT-WEIGHT: bold"&gt;Desinteresse&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Não na vertente da palavra original ao qual foi acoplado o prefixo de negação, mas como sinónimo de generosidade e desapego.&lt;br /&gt;É este o primeiro passo para o sucesso de qualquer sistema. Que os decisores sejam isentos e completamente despojados de interesses pessoais directos ou indirectos. Situação que apenas pode ser absolutamente pura no seio familiar, mas que pode tender para tal, se houver consciência de serviço colectivo, no desempenho dos cargos públicos de gestão.&lt;br /&gt;Não existindo esta condição, surgirão as mais variadas e injustas razões para que este ou aquele sistema político colapse ou defraude os seus cidadãos. O que falha, na verdade, é a cabeça que gere os tentáculos do polvo, e não o polvo em si. O que não impede que o dito "animal" não esteja também em estado adiantado de decomposição corpórea, para além do identificado defeito cerebral.&lt;br /&gt;Convençamo-nos então que o ponto primordial do caderno de encargos de um governante é a sua isenção, mais do que a genialidade e competência técnica, pois estas qualidades, ao serviço de causa própria, têm um potencial efeito destruidor superior à mais danosa das gestões incompetentes (ainda que avassaladoramente benéfica para as instituições bancárias da Suiça e das Ilhas Caimão).&lt;br /&gt;Assumido este pressuposto, passemos à fase seguinte desta evolução política...&lt;br /&gt;Acedemos hoje à nossa instituição bancária e gerimos o nosso dinheiro pela internet?&lt;br /&gt;Preenchemos e validamos a nossa declaração de rendimentos anual pela internet?&lt;br /&gt;Confiamos portanto que o sistema aberto da internet pode ser suficientemente seguro para nele executarmos transferências bancárias. O Estado confia que a internet é um meio suficientemente seguro para através dele comunicar e lidar com os cidadãos, no que ao pagamento dos seus impostos diz respeito! Mas o mesmo Estado que tão abertamente confia no sistema para que os cidadãos contribuam monetariamente para o seu financiamento através dos impostos, não se sente suficientemente confiante para que o processo de escolha dos seus representantes governativos seja sufragado por intermédio de uma votação numa rede segura (provavelmente será necessária uma intranet - fechada e portanto inatacável). E, apesar das maciças bofetadas de luva branca disfarçadas de abstencionismo, mantém a cabeça enterrada na areia, sustentado na convicção de que, em pleno mês de férias, toda a família oriunda de Bragança a gozar um merecido descanso em Sagres, não possa calçar os chinelos e deslocar-se à junta de freguesia desta localidade do Algarve para electronicamente votar, mas seja forçada a cruzar todo o país (provavelmente não de chinelos), para cumprir o mesmo dever/direito.&lt;br /&gt;Porque levanto esta questão neste ponto do artigo?&lt;br /&gt;Porque ela representa uma condição essencial para que todo o meu raciocínio se concretize.&lt;br /&gt;Muito para além da simples votação nos representantes governativos, este sistema de consulta popular deve, num sistema que se pretende verdadeiramente participado, funcionar como um "mega conselho" em que cada um verta a sua opinião (pelo voto) sobre assuntos e decisões de interesse público, quer estes sejam locais, regionais ou nacionais.&lt;br /&gt;Nesta versão de democracia, o actual exercício indirecto de soberania do povo será substituído pelo exercício directo da soberania, uma vez que as decisões serão por si tomadas, e não delegadas em caras e colorações avulsas ao sabor da sinusóide de poder que se inverte a cada dois mandatos.&lt;br /&gt;Os representantes do povo devem ser, neste novo paradigma, apenas a face visível da operacionalização dos desejos da sua população.&lt;br /&gt;Dir-me-ão que os programas de Governo são isso mesmo. Pois bem, e se eu concordar com a medida A mas não com a B. Tentarei nova proposta, que desta vez me apresenta uma medida C muito boa, mas que me deprime com uma medida D que considere desadequada. E assim corremos todas as propostas, sem nenhuma nos satisfazer verdadeiramente.&lt;br /&gt;Imaginemos pois este sistema alternativo de tomada de decisão:&lt;br /&gt;- É criada uma rede interna, à escala nacional, com terminais em todas as juntas de freguesia, onde cada eleitor poderá aceder, arbitrariamente, identificando-se com o seu número de contribuinte e uma palavra passe, tal como na declaração de finanças. O sistema efectuará imediatamente uma filtragem e identificará se este número de contribuinte corresponde a um cidadão elegível para votar. Neste sistema existirá uma bolsa de propostas (nacionais, distritais e locais) a que o sistema, em função do seu domicílio fiscal, lhe permitirá aceder. Assim, um cidadão residente em Almodôvar, maior e vacinado, poderá pronunciar-se sobre decisões nacionais, do distrito de Beja e ainda decisões do seu concelho, estando-lhe vedadas quaisquer outras decisões distritais ou concelhias.&lt;br /&gt;Poderíamos assim sentir que o futuro realmente nos pertencia, que ninguém decidiria por nós a construção de auto-estradas paralelas, que distam nalguns troços menos de cinco quilómetros entre si, quando todo o restante país se vai cada vez mais isolando; se seria a decisão da maioria o definhamento da rede ferroviária nacional e, em contrapartida, o endividamento de várias gerações num comboio um pouco mais rápido que os demais e que ligue duas cidades apenas, ou se a maioria aceitaria que o litoral fosse literalmente "assaltado" pela pressão imobiliária desvairada, para citar alguns exemplos desgarrados.&lt;br /&gt;É certo que muitas vozes se levantarão contra tal ideia.&lt;br /&gt;Que é insustentável referendar todas as decisões. Que as pessoas não são tecnicamente competentes para decidir (mas são tecnicamente competentes para avaliar e comparar programas de governo...). Que retira autonomia aos governantes.&lt;br /&gt;Todos estes argumentos aparecerão se a condição primária - o desinteresse, estiver ausente, pois colidirá com um projecto pessoal de usufruto individual à custa do domínio público.&lt;br /&gt;E é muito importante perceber a importância da consciência e inteligência colectiva no processo de decisão. Múltiplos exemplos dizem-nos que, face a um problema específico, a globalidade das respostas de um conjunto heterogéneo de indivíduos (ainda que não especialistas na matéria), tendem a ser as mais acertadas. E ainda que possa ser cientificamente refutável esta última afirmação, será muito mais justa e inatacável, pois cada um terá tido a oportunidade de dar, à sua escala, um contributo para o destino a dar à sua Nação.&lt;br /&gt;O único senão seria a extinção da tão portuguesa personagem "Velho do Restelo", pois ninguém se poderia queixar de decisões por si (maioria) tomadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso Gaiolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S. - A maior felicidade do conselho familiar consiste na constatação da sua perpetuação. Parabéns Ana, parabéns António.&lt;br /&gt;P.S. 2 - Dois tracinhos para o Pai Afonso... Estou a tentar apanhar o Avô e o Pedro (... e vão mais dois, diz o Alexandre enquanto aponta!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6614294308029034299?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6614294308029034299/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6614294308029034299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6614294308029034299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6614294308029034299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2011/02/estar-interessado-em-ser-desinteressado.html' title='Um interesse desinteressado'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-1834347567945161385</id><published>2010-12-27T18:21:00.004Z</published><updated>2010-12-27T18:46:13.751Z</updated><title type='text'>Economia, aos olhos de um leigo</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Table Normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;  mso-para-margin:0cm;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;    &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   Abate-se sobre a nossa Nação uma nuvem negra de desmoronamento económico.&lt;br /&gt;  Que nos deslumbrámos com o crédito fácil, diz-se…   &lt;br /&gt;  Que as famílias, como o Estado, gastam mais do que geram, socorrendo-se de terceiros que amorteçam a sua voracidade consumista.  &lt;br /&gt;  Que a economia é mesmo assim… que o consumo tem que aumentar para que fiquemos financeiramente mais saudáveis!  &lt;br /&gt;  Vejamos uns quantos exemplos, que amplamente demonstram quem fica mais saudável com este paradigma.&lt;br /&gt;  Se uma dada população consumir a sua porção diária recomendada de alimentos, é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;inquestionável&lt;/span&gt; que seria desejável que se mantivesse indefinidamente este precioso &lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;status&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;quo&lt;/span&gt;. Acontece, porém, que se se duplicar a dose a esta mesma população, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;tecnicamente&lt;/span&gt;, a economia fica a ganhar, já que todas as empresas produtoras/fornecedoras de alimentos, teoricamente duplicariam também os seus lucros. Apesar destas pessoas não necessitarem de tais bens, dos malefícios directos e indirectos que resultam da progressiva obesidade que inevitavelmente resultará de tal medida, dos gastos acrescidos com o sistema de saúde (este sim… a salivar, porque uma população saudável não consome recursos e não gera lucros a esta indústria), apesar do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;exaurir&lt;/span&gt; progressivo dos recursos naturais do circuito fechado que é o nosso planeta Terra, apesar da imoralidade da existência de outros seres que necessitariam deste desperdício para não sucumbir às mãos do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;anjo da fome&lt;/span&gt;, apesar de tudo isto… o frenesim da economia consegue ludibriar qualquer laivo de racionalidade e justificar mediaticamente, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;subliminarmente&lt;/span&gt;, que… assim se vê a pujança de um povo.  &lt;br /&gt;  Este infeliz exemplo encontra similaridade numa miríade de outras situações que infelizmente nos embaraçam, se pararmos para pensar nelas. Quantos de nós já se sentiram tentados a trocar de automóvel, telemóvel, televisão, computador, vestuário… pelo simples impulso do consumo imediato, sem questionar racionalmente se essa troca era realmente necessária. É verdade que a economia ganha, tanto mais, quanto mais se trocarem os bens, mas à custa dos iludidos que trabalharão cada vez mais para ter menos.   &lt;br /&gt;  Que não se tenham ilusões… terão efectivamente menos. Porque, no final, quando olharem para trás, perceberão que apenas inundaram de dinheiro algumas, poucas pessoas, que sem escrúpulos se aproveitaram da imbecilidade da maioria &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;lobotomizada&lt;/span&gt;.  &lt;br /&gt;  É tempo de parar um pouco para pensar no provérbio popular “quem não deve não teme”.&lt;br /&gt;  Se vos contar uma história de uma família que comprou, a crédito quase vitalício, uma casa, um automóvel de muitos Quilowatts, um motociclo de ainda mais Quilowatts, uma televisão de mais de 50 polegadas, umas férias num paraíso perdido do Pacífico, um sofá em pele de muitos lugares, um computador de muitos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Giga&lt;/span&gt; Hertz, um &lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;itelemóvel&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;de décima geração e ainda um casaco de pele de arminho (apenas para irritar o mesquinho vizinho ambientalista) e que, graças a este maravilhoso contributo para a solidez do sistema financeiro vigente, devolve mensalmente à caridosa instituição que lhe fez o favor de emprestar o dinheiro, noventa por cento do rendimento líquido mensal do casal, sobrando-lhe uma mão cheia de quase nada para efectivamente sustentar quem de si herdará as feições mas, esperemos para bem de todos, não a capacidade cognitiva, todos se insurgirão perante tamanha falta de bom senso. Porém, se o Estado efectuar exactamente o mesmo percurso que esta tresloucada família com as contas públicas (que por a todos pertencerem, assim se chamam), parece ser normal, porque o sistema económico assim o exige.  &lt;br /&gt;  E porque o sistema financeiro assim o exige e, porque assim, porque devemos, passa uma Nação com 900 anos de História a temer um punhado de instituições de notação financeira, geridas por &lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;neo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;-&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;yuppies&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;que, entre uma atribuição de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;AAA&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;BBB&lt;/span&gt;+, se entretêm com uma partida do muito &lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;in&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;squash&lt;/span&gt;, enquanto se deleitam com uma refeição muito&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;in&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;sushi&lt;/span&gt;.  &lt;br /&gt;  É tempo de perceber que merecemos mais que estar reféns desta nova geração de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;pseudo&lt;/span&gt;-donos da verdade, que mais não são que marionetas ao serviço dos que realmente puxam os cordéis de todo o mundo civilizado.   &lt;br /&gt;  Que é essencial ser auto-suficiente na maioria das necessidades do país, ao contrário do que nos quiseram fazer crer ao longo das últimas duas décadas e meia, pois só assim conseguiremos manter a verdadeira autonomia e independência, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;independentemente&lt;/span&gt; das uniões e parcerias caducas que fizermos ao longo dos séculos.  &lt;br /&gt;  Pessoalmente sentir-me-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;ei&lt;/span&gt; muito envergonhado se, como país, face a uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;birrinha&lt;/span&gt; açucarada, não conseguirmos resistir a rupturas de stock em vésperas de épocas festivas.  &lt;br /&gt;  Não querendo ser fundamentalista, que os extremos nunca são bons conselheiros, precisamos de repensar as prioridades produtivas do país, para que não mais passemos a vergonha de importar peixe, ainda que possuindo uma Zona Económica Exclusiva superior a três vezes a dimensão do antigo campo de futebol do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Almodovarense&lt;/span&gt;, entre outros paradoxos tão difíceis de explicar, se olhados com olhos de quem não se ilude com indemnizações e milhões que compensem a entrega de parte da alma lusitana em troca de um lugar garantido na galeria de seguidores de Filipe, num tempo em que uma bandeira significava mais que um punhado de euros (ou dólares, no sonho desvairado de um alqueire de loucos com chapéu de rapazinho das vacas).&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-1834347567945161385?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/1834347567945161385/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=1834347567945161385' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1834347567945161385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1834347567945161385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2010/12/economia-aos-olhos-de-um-leigo.html' title='Economia, aos olhos de um leigo'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6975316847978789619</id><published>2009-03-30T21:47:00.002+01:00</published><updated>2009-03-30T23:26:52.326+01:00</updated><title type='text'>Estado Final Desejado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A lenta caminhada, que iniciei há trinta e três translações terrenas, tem-me moldado o trilho e a passada, calma, paulatinamente na direcção de uma inexorável certeza incerta ou da incerteza acertada.&lt;br /&gt;Graças à angústia da irrelevância, da efemeridade, da pequenez e do empedrado do caminho, consegui… penso que consegui… ou estarei a iludir-me que consegui… olhar para dentro de mim e descobrir o meu ovo de Colombo.&lt;br /&gt;Numa das disciplinas específicas da arte da guerra, foi-me ensinado a exercitar a busca de soluções, identificando passos, linhas contínuas, paralelas ou convergentes, que conduzam a um &lt;strong&gt;Estado Final Desejado&lt;/strong&gt; de determinada situação, problema ou conflito.&lt;br /&gt;Percebi que a vida merecia que lhe dedicássemos um capítulo de estudo conducente à determinação de um Estado Final, em tudo semelhante à vertente militar que venho estudando nos últimos meses. Mas percebi… acima de tudo, com grande embaraço, que deambulei durante tantas luas sem destino palpável, tarefas escritas que guiem e reduzam a tendência do adiamento, características da feliz ignorância de quem permanece inconsciente da sua fragilidade e caducidade.&lt;br /&gt;O alheamento a que nos sujeitamos e as preocupações de carácter higiénico que nos vedam o acesso à motivação intrínseca, tornam demasiado transparente e adiado o nosso momento de afirmação, perante nós mesmos e perante o mundo.&lt;br /&gt;E se o derradeiro Inverno do nosso descontentamento chegar mais cedo do que o expectável, destroçando o tão paradoxal optimismo humano?&lt;br /&gt;Pessoalmente, quero esperá-lo tão perto quanto possível do meu Estado Final Desejado, convicto porém (obviamente) de que muitos mais acontecimentos astronómicos terão lugar, antes do sol se extinguir no meu horizonte.&lt;br /&gt;Sem enveredar pela personalização de objectivos, esses, tão pessoais que não ouso a exposição, passarei a explicar, aos menos familiarizados com este tema, onde está o sal que equilibra o ovo… indo além de Colombo.&lt;br /&gt;Na dissertação acerca de catenárias e sinusóides, abordei a felicidade como veículo da percepção do mundo. Pois bem, esta é a primeira e principal tentação a que devemos resistir… a formulação de um Estado Final Desejado inapropriado, inalcançável ou limitativo. Inicialmente, julguei que estaria no artigo a resposta a esta primeira equação. Mas só depois de reflectir na dimensão da palavra felicidade, percebi que não seria apropriada a escolha. Desde logo porque correria o risco de já ter ultrapassado o meu Estado Final Desejado, por variadíssimas vezes!&lt;br /&gt;Durante mais uma corrida vespertina cultural pela capital do nosso país, percebi que o Estado Final que desejo também se resume afinal numa palavra… &lt;strong&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Serenidade&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;É este o desiderato que, alcançado, permite que o sorriso engrandeça, onde tudo o resto definha.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitos desdenharão da aparente simplicidade de tal anseio mas, a esses, que ainda não acordaram da dormência social a que se auto-sujeitaram, perdoar-lhes-ei a falta de visão crítica e passional do mundo que os rodeia. Acreditem, no entanto (mesmo esses), que este singelo vocábulo, fazendo juz à expressão anglo-saxónica "&lt;em&gt;more than meets the eye&lt;/em&gt;", fará com que muitos centímetros sejam ainda adicionados ao monte Everest antes que a angústia se esfume e me consinta o vislumbre do romper da mais bela das auroras...&lt;br /&gt;Após a definição do Estado Final Desejado, apenas resta, nas diversas linhas de actuação a ele conducentes (de carácter pessoal, familiar, financeiro, universal…), estabelecer pontos decisivos a alcançar que, quando atingidos, contribuam para a conquista do Estado Final Desejado.&lt;br /&gt;E que melhor exemplificação deste conceito do que a generalização das três tarefas, tão tipicamente portuguesas, que o bom senso lusitano adoptou como limiar de realização pessoal de cada um... a árvore, o filho, o livro... não necessariamente por esta ordem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada indivíduo, obviamente, com o livre arbítrio que caracteriza os seres desligados da subjugação a entidades divinas (os crentes alegarão inclusividade, que me escusarei a comentar), delineará o seu conjunto de pontos decisivos, pessoais e intransmissíveis, para no final, libertado e comprometido, assinar um compromisso com o sorriso que o espelho lhe devolve e começar a trabalhar sem demora.&lt;br /&gt;Questionar-me-ão... um sentido para a vida?&lt;br /&gt;Para mim, infelizmente, AINDA, apenas uma vida com sentido… &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6975316847978789619?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6975316847978789619/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6975316847978789619' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6975316847978789619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6975316847978789619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2009/03/estado-final-desejado.html' title='Estado Final Desejado'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6631836305707267470</id><published>2008-10-13T12:54:00.003+01:00</published><updated>2008-10-13T22:00:59.651+01:00</updated><title type='text'>Ser e não ser!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num dos dias da semana que agora findou, entretive-me, ao serão, com um filme denominado "O terceiro Passo", "The Prestige" se preferirmos o título original na língua anglo-saxónica. De valor cinéfilo discutível, assume-se, no entanto, incontornável na subtileza do afloramento à mais lenta das agonias humanas... o tormento da incerteza da (in)existência de algo mais que a combinação extremamente cuidada de átomos que nos individualizam e a que gostamos de carinhosamente chamar alma!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não creio que o escritor tivesse uma intenção consciente de filosofar sobre tão complexo tema mas, curiosamente, ajustou-se na perfeição ao reacendimento de uma discussão recente que mantive com um dos companheiros de fim-de-semana de alerta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se hipoteticamente, fosse possível duplicar o nosso ser, seriam os dois resultados exactamente iguais?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em caso de resposta afirmativa, seria angustiante se a nossa cópia nos apontasse uma arma com o intuito de nos eliminar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem me conhece em profundidade, ou se deteve na leitura de alguns dos artigos anteriores, facilmente conclui que o meu nível de cepticismo em relação a tudo o que roce o esoterismo, é mais elevado do que a ânsia da imortalidade poderia à partida fazer supor. Não existe, no entanto, qualquer paradoxo nesta constatação. Trata-se, pura e simplesmente, da busca de uma solução racional e palpável, ao invés da cedência gratuita à simplista e cómoda muleta religiosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, muito sucintamente, o filme/livro deslinda o segredo da ilusão da transportação de um conceituado mágico, pelo uso de uma máquina de duplicação. Acontece que, obviamente, um dos dois seres resultantes terá de ser subrepticiamente anulado para que a ilusão se funda com a realidade e a apoteose seja total. E, no caso desta ilusão na forma tentada, seria o original a sacrificar-se em nome da credibilidade global de prestidigitador.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abstraindo-me da obra cinéfila, tentando apenas que o espírito de predição futurista assuma as rédeas do pensamento, concluo que sim. Será possível, pelo menos em teoria que, no acto de duplicação perfeita de um ser, a cópia seja exactamente igual ao original (embora apenas no instante da concepção, em virtude da interacção diferenciada com o mundo que os dois seres imediatamente iniciariam logo após esse sopro original). Mas, nesse instante mágico, todas as memórias, capacidade de raciocínio, convicções e valores, seriam exactamente os mesmos, cópia e original, original e cópia, que a ordem absolutamente irrelevante seria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, assim sendo, chegamos ao paradoxo da frase que dá titulo a esta dissertação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será pois possível ser e nao ser simultaneamente?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta a esta pergunta inicia-se na análise da angústia da arma apontada. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos olhos do original, a aniquilaçao seria a sua, do seu ser, da sua vida, única e insubstituível. Verdade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim e não! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, porque seria o seu ser que seria eliminado. Não, porque todo o seu legado intelectual estaria vertido na cópia, que tomaria o seu lugar como actor de uma vida, que julgaria (e mais importante que apenas julgada)... seria efectivamente a sua.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chamamos a imortalidade para este assunto? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Definitivamente não... na percepção do original aniquilado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente sim... aos olhos de todo o mundo remanescente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Delírio narcisista? Sim, porque sem dúvida resultado da ânsia de perpetuação pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Grandeza altruista se a intenção for a anulação do vazio da perda aos entes queridos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De uma maneira ou de outra, versão diminuida do ideal natural de perpetuacão das espécies pela reprodução, em virtude da ausência da necessária mescla genética conducente ao aperfeiçoamento global; versão aperfeiçoada, uma vez que se não perderia o património intelectual gerado durante toda uma vida de estudo e meditação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qualquer que seja a perspectiva, demasiado distante para que possa ser encarado como opção num futuro próximo. Mas excelente como exercício de estilo que permita questionar o conceito clássico-religioso de alma. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A maioria das pessoas com quem privei, na fase terminal da sua vida, transmitiram-me uma sensação de dever cumprido, quer pela transmissão genética pura, mas mais importante, pela passagem do máximo do seu potencial intelectual não só aos seus descendentes directos, mas a todo o seu círculo de influências. No final, apenas a assunção de que tudo estava consumado, que toda a caminhada não teria sido em vão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignoro se alguma vez chegaremos a ser imortais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Começo lentamente a desdenhar deste anseio.... pela saborosa perversão do aproveitamento máximo da vida enquanto intervalo limitado... mas sobretudo pela assimilação da percepção destes anciãos... com uma pequena derivação pessoal... que me faz não temer, mas também não querer a arma apontada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A alma, versão pessoal, é o resultado da simbiose da família enquanto ser único, reflectido no olhar cúmplice de todos para todos, nas saudades partilhadas, nas lições aprendidas por todos, por interacção global... nos sorrisos perpetuados na memória... que essa palavra secreta, enquanto existir,  será a fiel guardiã do teu nome, das tuas feições, do teu cheiro... de ti. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Satisfaço-me pois com o prazer de a encarar como um testemunho que a duas vozes se entrega a quem mais se ama, para que, de geração em geração, seja passada, revista, melhorada e aumentada, contendo a soma do que de melhor todos os ancestrais, cada um à sua maneira, pôde transmitir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com que propósito? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não sei... mas começo a suspeitar que talvez a sua busca seja o propósito em si... permitindo que, graças a esse legado, as gerações subsequentes possam então seguir &lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt; caminho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6631836305707267470?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6631836305707267470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6631836305707267470' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6631836305707267470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6631836305707267470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2008/10/ser-e-no-ser.html' title='Ser e não ser!'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-1782067531074114194</id><published>2008-02-03T08:57:00.000Z</published><updated>2008-02-03T20:33:40.907Z</updated><title type='text'>Catenárias e Sinusóides</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se a sua felicidade fosse mensurável, como a avaliaria?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E o que significa afinal o vocábulo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Provavelmente o número de respostas diversas seria equivalente ao número de indivíduos aos quais formulássemos a pergunta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Embora existam alguns factores universais potenciadores de tal estado de espírito, o modo como cada um, a cada momento da sua vida, os vê e aceita, torna a definição tão &lt;em&gt;camaleónica&lt;/em&gt;, que até o mais conceituado dicionário tem dificuldade em definir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deixo os dedos divagarem sobre este tema, na sequência da leitura de um artigo científico, a publicar na revista "Social Science and Medicine", que descreve a linha da felicidade ao longo da nossa vida como um U, coincidindo os picos com a infância e a terceira idade, e o período mais difícil na ternura dos quarenta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não questiono a validade dos mais de dois milhões de inquéritos em 72 países, nem tão pouco a competência científica dos autores do estudo, mas recuso-me a assumir os resultados como uma fatalidade, porque isso equivaleria a demonstrar a falência do modelo de vida a que os humanos conseguiram ascender. E muito mais importante que acumular e sintetizar dados, parece-me relevante tentar perceber o porquê da descida abrupta na percepção da felicidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do que precisaremos para que a catenária se transforme numa sinusóide de pequeníssima amplitude e elevada frequência, cujo topo namore o limiar da felicidade pura? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os escassos anos de experiência pessoal não me permitem testar a validade de qualquer teoria, mas consigo reconhecer alguns factores como determinantes para um bem sucedido resultado final. Em primeiro lugar é essencial destacar a consciência, ou falta dela. É fácil identificar estados de felicidade pura em crianças que, contudo, quando questionadas, serão incapazes de identificar o conceito. Não havendo consciência, os estados de felicidade são os mais genuínos, porque são apenas os momentos de contentamento que contam, por si só, sem adição de expectativas, motivações ou desígnios. Verdade nua e crua, a mesma felicidade que identificamos nos nossos animais domésticos, porque resultante de uma entrega incondicional a cada instante, sem anseios colaterais. Desperdício, poder-se-á pensar, se apenas for considerada a limitada capacidade infantil de delineação de uma fita temporal que permita a reconstrução futura de tais eventos, mas importantíssima na percepção global de como fomos protegidos e educados na fase inicial da nossa vida. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passada a fase coerente, entramos na fase delicada....&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já algum de vós parou para pensar na incoerência da frase, chavão de uma das mais recentes campanhas publicitárias de um banco português - "Aqui vou ser feliz!"?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece que, de um dia para o outro, depois de termos forçado a criança dentro de cada um de nós a mergulhar na fossa das Marianas, passámos a precisar de planear o tempo e o lugar onde nos vamos sentir mais leves do que aquilo a que o planeta nos parece querer obrigar. Queremos lembrar-nos de tudo o que nos ensinaram, mas esquecemo-nos daquilo que soubemos sem uma única lição, e que constitui a solução para a miserabilidade da procura infrutífera do "graal" da felicidade no "Spirit of Ectasy", e outros símbolos semelhantes. Em primeiro lugar, porque a palavra não foi criada para ser conjugada no futuro, pois fazendo-o, corremos o risco de deixar atrás de nós um manto cinzento escuro de frustrações e decepções, que nos impedirá alguma vez de chegarmos ao nosso objectivo... por simplesmente deixarmos de perceber qual é. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E depois... bem, digam o que disserem, comprem o que comprarem, vistam o que vestirem, conduzam o que conduzirem, ou pilotem o que pilotarem, as melhores e mais marcantes emoções e momentos das vossas vidas não terão afinidade alguma com o papel-moeda... serão simplesmente o resultado da vossa mais simples interacção com o mundo, e com as pessoas que vos rodeiam. Insensatez, menosprezar o poder dos cifrões? Não, se percebermos que servirão apenas para construir o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bathyscaphe_Trieste"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;Trieste&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; das nossas vidas, resgatarmos o pequenito acocorado no fundo e lhe mostrarmos quão belas podem ser as fossas abissais. Será que precisaremos de esperar por um abraço apertado dos nossos netos, para que voltemos a encarar o mundo como nunca o deveríamos ter deixado de fazer?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Recuso-me a escorregar pela última vogal do alfabeto!...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"Os homens que procuram a felicidade são como os embriagados que não conseguem encontrar a própria casa, apesar de saberem que a têm."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Voltaire&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-1782067531074114194?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/1782067531074114194/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=1782067531074114194' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1782067531074114194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/1782067531074114194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2008/02/catenrias-e-sinusides.html' title='Catenárias e Sinusóides'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-7710308403614920477</id><published>2007-11-20T17:43:00.000Z</published><updated>2007-11-20T18:08:59.981Z</updated><title type='text'>112 Euros por Minuto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É hoje lançada mais uma campanha de sensibilização junto da sociedade portuguesa, desta vez para desincentivar o recurso ao número de emergência  112 por aquela franja da população que trabalha afincadamente para que todos os dias primeiros de Abril sejam um sucesso nesta nossa Nação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma campanha &lt;em&gt;Pro Bono&lt;/em&gt;, leio num reputado jornal diário, o que significa que todos os intervenientes colaborarão gratuitamente na iniciativa.&lt;br /&gt;Quase me sentia impelido a aplaudir, não fora a sensação de desperdício que me enevoa o ecrã, e me impede de terminar a leitura do artigo noticioso com um sorriso positivista na face.&lt;br /&gt;Quantas mais campanhas de sensibilização serão precisas para que percebamos que, por si só, elas resolvem coisa nenhuma. Que só suportadas, inicialmente, por medidas coersivas se conseguem os resultados pretendidos no curto prazo. Resultados esses passíveis de, gerada uma progressiva consciência grupal conseguida à custa de algumas multas/ processos / julgamentos / condenações mediáticas (aqui é que surge o verdadeiro serviço público de jornalismo), criar uma auto-regulação na sociedade, extinguindo o comportamento indesejado a médio prazo.&lt;br /&gt;Parece-me que não percebemos ainda que o atraso face aos países mais desenvolvidos não é só económico. Tentamos copiar ideias e ideais, sem analisar a realidade da nossa população face aos restantes. Onde agora bastam apenas algumas campanhas de sensibilização, foram implementadas durante décadas medidas coersivas, algumas sobreviventes até ao presente, mantidas na sombra, mas vivas o suficiente para que a sociedade não degenere.&lt;br /&gt;Escrevi há tempos um artigo cáustico em relação à sociedade americana, mas não tenho outra alternativa senão começar por ela para vos dar um exemplo de como se combate este tipo de problema. A história passa-se num hotel, detentor do mais estúpido sistema de gestão telefónica existente por aquelas bandas. Para se aceder a uma linha exterior, os utentes tinham somente que marcar os números 9, seguido do 1, e depois o número desejado. Nada de especial, não fora o infeliz acaso de estarmos a um dígito apenas de discar o número nacional de emergência médica. Claro está que, no meio de tanto estranho numa terra estranha (Belguinhas claro, que um tuga nunca é estranho em terra alguma...) lá houve quem por engano marcasse os tão famigerados três números, ainda que seguidos de mais dez para tentar falar para casa.&lt;br /&gt;O que se passou em seguida foi deveras curioso...  ou talvez não.&lt;br /&gt;No espaço de tempo que medeia a percepção do erro, do reconhecimento da culpa, do desligar atabalhoado do telefone e de uma contagem de cinquenta para um em numeração romana, chegou a polícia local, que apenas ficou satisfeita após um sumário interrogatório e promessas de regeneração do personagem em questão.&lt;br /&gt;Sendo certo que muitas das chamadas em solo nacional são efectuadas de telefones públicos, ainda assim creio que uma acção concertada com as polícias locais poderia quebrar a sensação de impunidade, sempre ela, a combater os princípios da moralidade social.&lt;br /&gt;Lembro-me, há aproximadamente duas décadas atrás, da luta hercúlea que Portugal travou pelo uso do cinto de segurança. Bem me podem tentar convencer que foram as campanhas de sensibilização, por si só, que mudaram as mentalidades. A verdade é que foram os escudos a menos na carteira e a sensação de que a polícia realmente actuaria na presença deste tipo de transgressão, que inicialmente forçou a mudança. Naturalmente, com o passar do tempo, as campanhas de consciencialização fizeram o seu trabalho e é, com naturalidade, que hoje censuramos quem quer que o não use ou apregoe que o não faz.&lt;br /&gt;E se dúvidas houver desta teoria, basta recordar uma recente campanha de prevenção rodoviária, onde um cidadão deficiente, vítima  de um acidente de viação, tentava, com grande esforço, abotoar uma camisa, para demonstrar as consequências dos acidentes. Quanto tempo bastou para que, o que à partida parecia ter sido uma boa iniciativa, tivesse degenerado em mais uma adenda ao profícuo anedotário português?&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;Por ser uma campanha inconsequente, não suportada por medidas efectivas de combate activo aos desvios ao código da estrada. Por inócua, tornou-se ridícula. Quase como a sátira “fedorenta” ao comentário de Marcelo Rebelo de Sousa acerca do aborto.&lt;br /&gt;-  “É proíbido? Sim. E o que me acontece se o fizer?  Nada!”&lt;br /&gt;Bem sei, mais uma facada na teoria do bom selvagem... mas se realmente queremos homogeneizar a sociedade na assunção de bons valores morais, temos que adequar as medidas ao estágio de desenvolvimento que atravessamos, independentemente do que isso filosoficamente represente.&lt;br /&gt;E para quem gosta de soluções e fica farto de teorizações que de pouco valem, proponho uma nova campanha, de sensibilização ou do que lhe quiserem chamar... cujo lema: &lt;strong&gt;112 euros por minuto&lt;/strong&gt; (o valor a pagar por cada brincadeira de mau gosto), &lt;strong&gt;mais despesas de envio&lt;/strong&gt; (neste caso de todos os meios accionados para o efeito), acredito ser muito mais eficaz no redireccionamentos das chamadas destes brincalhões para as inúmeras linhas astrológico-eróticas existentes, estas sim, mais adequadas ao espírito da brincadeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      “A Humanidade não é um estado a que se ascenda. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;                                      É uma dignidade que se conquista."&lt;br /&gt;                                                                                  &lt;em&gt;Jean Vercors&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um abraço,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Afonso Gaiolas&lt;/em&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;em&gt;“The Jackal”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-7710308403614920477?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/7710308403614920477/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=7710308403614920477' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7710308403614920477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7710308403614920477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/11/112-euros-por-minuto.html' title='112 Euros por Minuto'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-3019621254508332519</id><published>2007-10-10T15:32:00.000+01:00</published><updated>2007-10-10T21:19:27.715+01:00</updated><title type='text'>Desculpa-nos, Madeleine</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não resisti.&lt;br /&gt;Depois de tanta tinta gasta a dissecar o caso do desaparecimento da menina Madeleine, também eu me sinto no direito-obrigação de exteriorizar uma série de angústias que interiormente me consomem, acerca deste triste acontecimento.&lt;br /&gt;Descansem as almas mais agitadas, que não é minha intenção participar na contagem de espingardas dos defensores de cada tese, teorias da conspiração e outras fantasias de quem, à falta de fenómenos meteorológicos para discutir, se entretem a brincar à criminologia.&lt;br /&gt;Não estranhem, no entanto, que também eu tenha uma opinião formada, que apenas com os mais chegados compartilho, fruto da minha visão instintiva (animalesca, se lhe quiserem chamar) da natureza e dos acontecimentos, fielmente retratada nos devaneios do artigo &lt;em&gt;Aos que olhando, se recusam a sentir&lt;/em&gt;, que tanto gosto de permanentemente tentar validar.&lt;br /&gt;Todos somos capazes do melhor e do pior.&lt;br /&gt;Por muito que esta afirmação choque as mais virginais mentes, ela não só é verdadeira, como facilmente constatável nas mais diversas relações pessoais, nas mais variadas faixas etárias, e sobretudo nas circunstâncias em que cada um, em cada momento, se encontra. Quantos dos que acesamente defendem a justiça dos tribunais, resisitiriam à tentação de temporariamente vestirem a pele de cirurgiões estéticos faciais, se se deparassem presencialmente com alguém responsável por um qualquer crime atentatório da integridade física ou psicológica de um filho seu?&lt;br /&gt;Independentemente do julgamento que façamos do exemplo anteriormente referido (que não é de todo inocente), é obrigação de todos, no entanto, de crescer por dentro, na mesma proporção em que fisicamente vamos amadurecendo, para que, quando chegar a nossa vez de passarmos o legado humano a mais uma geração, ela se possa orgulhar do caminho percorrido pelos seus ancestrais.&lt;br /&gt;Gostava de começar por analisar o exemplo que dei para começar a zurzir a luva branca (e que se lixem os falsos moralismos e a conversa mole, que começo a ficar farto da complacência perante a negligência e o laxismo, de quem decide, sem equacionar a sua preparação física e mental, assumir a maior das responsabilidades que os seus ombros podem carregar).&lt;br /&gt;A protecção da família é o bem mais precioso e inalienável que possuímos, subjugando a nossa própria protecção, se necessário for. E isto deveria ser válido para qualquer caucasiano, da mesma maneira que para qualquer outro indivíduo ou grupo de indivíduos, agrupados ou não por variações do seu fenótipo. Mas aparentemente a realidade parece ser bem diferente...&lt;br /&gt;Quem não se apercebeu que, ao conceber um filho, inicia uma série de concessões voluntárias na restrição da sua liberdade individual, talvez não esteja ainda preparado para o novo desfio que tem pela frente. E isto passa pela consciência de que toda uma série de prazeres mundanos, a existirem, serão naturalmente afectados. Muitas das lendárias jantaradas e saídas nocturnas, férias radicais, ócio matutino e vespertino domingueiro, entre outros desvarios próprios da repentina chegada à idade adulta, se tornam muito mais ocasionais, com o advento da descendência.&lt;br /&gt;O mais importante a reter é que esta tomada de consciência não é dependente da formação académica dos progenitores, como se pode depreender da atitude de dois digníssimos licenciados em medicina.&lt;br /&gt;Existem duas formas, constatadas por quem se desloca em qualquer meio social, do mais degradado ao mais monetariamente selectivo, de contornar ou renunciar ao enunciado no anterior parágrafo. Ambas condenáveis, ambas merecedoras da mais severa reprimenda moral por parte de toda a sociedade. Uns, irresponsáveis, optam por fazer-se acompanhar das crianças, em locais e horas não recomendáveis a menores. Outros, ainda mais irresponsáveis, prosseguem para os mesmos locais, às mesmas horas, deixando as crianças entregues a si próprias, trancadas ou não em habitações permanentes ou temporárias, esperançadas que Hipnos cumpra a sua função divina sem falhas. Delegando, enfim, na sorte, a responsabilidade da protecção dos seus entes queridos que só a si compete.&lt;br /&gt;Mas mais repugnante que ser negligente e egoísta, é sê-lo sem escrúpulos nem respeito pela integridade física dos que o idolatram. Não há nada pior para uma criança que a traição dos próprios pais. É intolerável que se mediquem desnecessariamente as crianças, apenas para conforto dos progenitores, porque, à excepção dos placebos, não conheço quaisquer outros medicamentos que sejam totalmente inócuos, especialmente em corpos em crescimento. E, neste caso, serão tanto mais responsáveis os pais, quanto mais formação académica tiverem adquirido ao longo da sua vida.&lt;br /&gt;A infelicidade desta criança inglesa, qualquer que tenha sido, merece que, pelo menos, a generalidade da população adulta reflicta sobre a atenção e importância que está a dar aos que tornam os nossos dias mais &lt;span style="color:#000000;"&gt;azuis&lt;/span&gt;, e que os que estão prestes a tomar a grande decisão, meditem na sua real preparação para tamanha responsabilidade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desculpa-nos Madeleine, por não termos, atempadamente, repreendido os teus pais!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Afonso Gaiolas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-3019621254508332519?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/3019621254508332519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=3019621254508332519' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/3019621254508332519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/3019621254508332519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/10/desculpa-nos-madeleine.html' title='Desculpa-nos, Madeleine'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-3602394604460167417</id><published>2007-10-02T08:42:00.000+01:00</published><updated>2007-10-02T09:31:00.347+01:00</updated><title type='text'>Celas de chuto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existem medidas difíceis. Existem medidas duras. Existem medidas draconianas. E existem... medidas estúpidas! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A visão do Estado e do conjunto de leis que o regem, a não ser utópica, orientada e orientadora no sentido do progresso social e moral, pode correr o risco de se tornar apenas paliativa da decadência reinante, ao invés de protectora da pureza espiritual... na demanda de uma sociedade um pouco menos imperfeita que a precedente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidimos, em consciência grupal, que o aglomerado de substâncias a que vulgarmente denominamos drogas, nada traziam de benéfico para o grupo em que nos inserimos, apenas contribuindo para a alienação progressiva do indivíduo e a efémera conquista de um estatuto de "super-algo", a esfumar-se aos primeiros sinais de regeneração corporal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assumida esta decisão, é obrigação dos redactores das palavras basilares regedoras das regras de vivência em cada sociedade, a tradução desta vontade popular.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poder-se-á argumentar que se pressente uma mudança progressiva de vontades, das dúvidas emergentes em estabelecer o que proibir e o que tolerar. Faça-se então um debate sério, uma consulta popular, o que for necessário para perceber a vontade da maioria, mas por favor, depois de tomadas as decisões, adequem-se as medidas para que elas sejam cumpridas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Chega de subjectividade literária (lembrei-me do teu conselho, pai!).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Atormenta-me a alma que se combatam problemas com outros problemas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Constatou-se a existência de um flagelo - a propagação galopante de doenças nos Estabelecimentos Estatais de Regeneração Moral (já que agora "embarcámos" na senda da pomposidade na descrição de cargos ou de locais, era útil aos mais distraídos que se identificassem então as prisões com o propósito último para o qual foram criadas), por via da partilha de artefactos artesanais de inserção de droga no organismo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é necessário possuir um Q.I. de três dígitos para perceber que existe um problema a montante que, sendo resolvido, extingue o segundo. E que a tentativa de resolução do segundo, ignorando o primeiro, estabelece um precedente de reconhecimento de incapacidade muito perigoso, que fragiliza o Estado e os seus cidadãos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez seja casmurrice minha, mas gostaria que alguém me explicasse em que consiste a teoria da distribuição de "kits" de seringas nas prisões, precisamente o local onde se pretende que as pessoas se regenerem. E qual o propósito das ditas seringas? Já ouvi que para diminuir o número de contágios. Uma consequência da sua utilização, concordo, mas não o seu propósito... que é tão somente a injecção de droga no organismo. Gostava que alguém com responsabilidade decisória nesta matéria específica, reconhecesse publicamente (o que nas entrelinhas se lê nesta medida) a incompetência Estatal no controlo de entrada de substâncias ilícitas nas prisões, e a utilização do dinheiro de todos, não para combater este problema, mas para fornecer ferramentas de consumo àqueles que, ilegalmente, as conseguiram obter. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É espantoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perante a possibilidade de regenerar um indivíduo viciado, anulamos a vantagem do controlo permanente, da abstinência forçada que potencie a vontade em seguir um programa de reabilitação, do apoio físico e psicológico... a favor do reconhecimento da falha em manter limpo o ambiente prisional, e do incentivo ao consumo, camuflado pelas bandeiras da saúde pública.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual é a mensagem que desejamos passar aos que, em virtude do seu desvio de comportamento do padrão social desejável, se encontram privados da liberdade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Onde cabe o processo de (re)aprendizagem de vivência em sociedade e a regeneração física e espiritual, se o Estado mostra, neste "recinto escolar", que "se conseguirmos entrar para a sala de exame como uma cábula de tamanho liliputiano, o examinador prontamente nos disponibilizará uma lente aumentativa, para que consigamos adequadamente copiar, cumprindo assim o propósito de combater o flagelo da perda de acuidade visual dos alunos, por tamanho esforço de decifração de tão evoluído auxiliar de memória".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ou a sofisticação da vestimenta do Rei não me permite vislumbrar para além do óbvio, ou então... ele vai mesmo nu!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;. . . . . . &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-3602394604460167417?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/3602394604460167417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=3602394604460167417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/3602394604460167417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/3602394604460167417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/10/celas-de-chuto.html' title='Celas de chuto'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-122901172674843916</id><published>2007-07-17T18:18:00.000+01:00</published><updated>2007-07-18T09:28:49.279+01:00</updated><title type='text'>Umbigos, desígnios e ameaças</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Precisamos urgentemente de um &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Inimigo Comum&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Digo-o com a mesma mágoa que tenho carregado dentro de mim, desde que reconheci, há alguns anos atrás, a inevitabilidade da consumação de tal afirmação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, acreditem, não creio que exista humilhação maior que o reconhecimento, a um conjunto de seres que se julgam racionais, inteligentes e superiores à média dos organismos que baseiam a sua existência nos átomos de carbono, da necessidade de uma muleta conflitual externa que ajude a sanar uma multitude de pequenos (grandes) conflitos internos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falso? Incoerente? Ilógico?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quem, dos que pronunciaram estas três palavras, se voluntaria para envergar uma armadura e lutar ao lado de Afonso Henriques, na época em que o título honorífico "Dom" ainda não tinha sido inteiramente merecido, e me tente negar a responsabilidade do inimigo comum Mouro na agregação de ideais e vontades num conjunto necessariamente heterógeneo de pessoas, ainda sem identidade grupal como Nação. Ou na aliança de inimigos históricos no combate a invasores comuns sedentos de território. Ou uma miríade de outros exemplos por esse mundo fora, do mais simples ajuntamento e desentendimento tribal à mais complexa teia de Nações.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há longos anos que intimamente sinto que a Humanidade precisa de um constrangimento comum, uma necessidade mundial, que compromenta a segurança de todos,&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;-&lt;/span&gt; &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;re&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;&lt;strong&gt;mediável &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;-&lt;/span&gt;, se resolvida à escala global, mas suficientemente credível e imediata para que todos sintam a necessidade de um empenho total e incondicional para que o problema se solucione.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só assim, na minha opinião, conseguiríamos que o foco de luz que actualmente apenas ilumina a zona do umbigo a alguns milhões de energúmenos, passasse a clarear a zona da caixa craniana e fizesse perceber que todos precisamos de respirar o mesmo ar e que todos inevitavelmente fechamos os olhos quando escurece.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se aflora este assunto, imediatamente se eriçam os pelos dos tementes a entidades alienígenas agressoras (curiosa a necessidade de colocar algo com uma capacidade superior à nossa, se for esse o caso, como hostil). Mas não são do domínio da ficcção as potenciais rotas de colisão entre dois corpos celestes e, definitivamente do domínio da realidade imediata a degradação galopante do nosso cantinho azul.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, analisando este caso específico, que demonstra um tremendo desrespeito pelas gerações actuais, mas especialmente pelas vindouras, podemos fazer uma extrapolação para justificar todos os ódios e conflitos remanescentes, latentes ou recrudescentes que a Humanidade carrega como eterno fardo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheço como válida a contestação à palavra eterno... mas de quantas gerações estamos a falar, quando tentamos encontrar o ponto em que todos os conflitos estejam sanados. Provavelmente necessitaremos de uma escalar milenar... e não me parece que disponhamos de tanto tempo assim para desperdiçar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E tudo porque nos recusámos sempre a reconhecer a igualdade neste mundo. Porque uns se julgarão sempre maiores e melhores que outros, religiosa, cultural ou economicamente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque será sempre preciso esperar pelo instante que antecede a morte, aquele suspiro que concentra toda a fragilidade da vida, para que eventualmente todos se reduzam à centelha a um sopro de se desvanecer. E mesmo aí, graças à maravilhosa ajuda da malfadada religião, por vezes ainda se consegue deturpar o óbvio e criar a ilusão de que, até depois de extintos, seremos melhores que os demais. Que ninguém tenha ilusões, nunca houve sequer a menor intenção (apesar do apregoado), de promover a igualdade entre os povos através da religião, e basta ver o carácter discriminatório do acesso à &lt;em&gt;"&lt;/em&gt;eternidade&lt;em&gt;" post-mortem,&lt;/em&gt; para concluir em que se baseiam os pretensos princípios morais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nada disto faz sentido, tudo parece bacoco, como bacoca nos parece hoje a adoração politeísta da Grécia Antiga. E, no entanto, que avançados eles eram no seu tempo...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, se todos acordamos em reconhecer esta irracionalidade, porque tardam, por exemplo, as questões ambientais em tornar-se realmente um desígnio global. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A resposta está no foco de luz no umbigo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque ainda há quem pense que a sua parcela de terra pode ficar imune à degradação, e que serão apenas os outros a arcar com as consequências dos erros de todos. Apenas no dia em que acordarmos com a catástrofe iminente a bater-nos à porta (e não será concerteza levemente), todos se unirão numa corrida desenfreada contra o relógio, em busca de uma solução global. Aí, mesmo que só por um instante, esquecer-se-ão as cores da epiderme, do cabelo, dos olhos, das escrituras sagradas, e todos farão apenas parte de um imenso grupo de seres, que partilham o mesmo ADN, cujas necessidades básicas são comuns, e que têm que actuar coordenadamente para assegurar a sobrevivência e simultaneamente o bem estar global como espécie.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É sem dúvida sombrio que tenha de defender a existência de uma ameaça comum que ajude a resolver os nossos problemas imediatos. E, acreditem, não passa um dia que não tente participar na resolução do problema que leve à aplicação de uma solução alternativa, que mostre a existência de um propósito maior que torne insignificantes as desavenças mesquinhas. Porque, estou convencido que é este vazio ideológico que gera o desnorte. Que deturpa as prioridades e acentua o valor do vil metal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, mais uma vez, a religião não fornece qualquer refúgio, pois não identifica qualquer objectivo para cada um de nós. Ao seu jeito humano, resolve apenas os problemazinhos de protecção, bem-estar e paternalismo, não fornecendo qualquer pista em relação à questão fulcral... a existencial!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O porquê da existência?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reside aqui a segunda via para a resolução do nosso problema, aquela que sem dúvida corresponde ao &lt;em&gt;graal&lt;/em&gt; da Humanidade, mas que, por agora, se encontra inatingível... a descoberta do &lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;strong&gt;Desígnio comum. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Porquê? Para quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto não conseguirmos derrubar o acento circunflexo, transformando a questão em parte de uma afirmação, precisaremos de um paliativo que resolva o nosso problema enquanto espécie, no imediato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porque, à medida que a tecnologia avança e se torna acessível a um cada vez maior número de indivíduos, mais perto estamos de fornecer instrumentos de destruição à escala planetária. E, mesmo que o pior dos cenários não se concretize, ver-nos-emos confrontados com o fantasma da teoria do espaço vital, quando tivermos que começar a lidar com uma população de dois dígitos a preceder os milhares de milhões de indivíduos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E quanto fundo pode ser o nosso umbigo, quando nos recusamos a olhar para estes números globais, e nos mantemos preocupados com a penúria das taxas de natalidade locais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É tempo de olhar, pensar e gerir o todo, com ou sem desígnio Maior... porque os problemas deixaram há muito de ser locais... e o bater das asas de um anjo assexuado, vai mesmo causar um ciclone na planície das virgens que esperam ansiosamente a chegada do seu chamuscado mártir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-122901172674843916?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/122901172674843916/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=122901172674843916' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/122901172674843916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/122901172674843916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/07/umbigos-desgnios-e-ameaas.html' title='Umbigos, desígnios e ameaças'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-6123529643852937088</id><published>2007-06-25T09:31:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T17:56:46.172+01:00</updated><title type='text'>Asas de frangos sem cabeça</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Empanturrado numa orgia de americanices!&lt;br /&gt;A expressão, que me fez recuar a caneta mais do que uma vez, reflecte contudo o sentimento que me preenche nesta estada, paradoxalmente não em terras do Tio Sam, mas no seu alter ego Canadá.&lt;br /&gt;Que os referenciais europeus se esfumavam nas milhas náuticas necessárias para atravessar os dois continentes, não me restavam dúvidas, mas ainda assim, constatar &lt;em&gt;in loco&lt;/em&gt; tamanha incompatibilidade cultural, confesso que nem uma sessão condensada de todos os documentários de Michael Moore me faria atenuar a estupefacção. É, contudo, também verdade que me encontro por detrás do sol poente da civilização ocidental, em pleno coração dos ex-domínios índios (ou primeiras Nações), como irónica e sarcasticamente por aqui gostam de os classificar. E como é deprimente presenciar a anulação de toda esta raça de seres humanos, incapazes de lidar com uma civilização que evoluiu (mecanicamente) demasiado depressa, e lhes ofereceu apenas o lado perverso das sociedades industrializadas, em troca do seu bem mais precioso... a identidade! A vulgaridade da presença, nas cidades mais movimentadas, de vítimas alcoolizadas, refugiadas na alienação oferecida pelas mais variadas substâncias psicotrópicas, viciadas nas demoníacas máquinas sugadoras de rendimentos ("slot machines", para os mais chegados), nitidamente deslocadas e incapazes de se encaixar na complexa teia social vigente, à qual, duvido, alguma vez tenham desejado pertencer, tudo isto representa a face visível deste problema centenário. Concordo que a solução não se encontra debaixo de um qualquer tapete, especialmente depois de definidas as fronteiras físicas e políticas de uma Nação, mas para um país possuidor de tantos quilómetros quadrados (inimaginável à luz do dimensionamento das Nações Europeias), penso que teria sido possível uma aproximação gradual que permitisse conjugar o melhor dos dois mundos. Verdade seja dita, o mesmo erro que cometemos em África! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(... pausa de alguns minutos!) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Confesso que estava a ser ingénuo.&lt;br /&gt;O erro não está na aproximação repentina, mas nas personalidades responsáveis pelo contacto inicial e a sua intencionalidade. Infelizmente, em quase todos os lugares do globo, a mistura civilacional foi caracterizada pela ganância e má-fé dos pioneiros, tendo sido perpetrados um sem número de atrocidades que mancharam a História da Humanidade e que, no final, não mais fomentaram que o espezinhamento dos mais fracos, e não raras vezes o seu extermínio.&lt;br /&gt;É estranho o sentido que esta crónica está a levar, totalmente díspar do tema a que inicialmente me propus. Será porventura a isto que Lobo Antunes se refere quando diz que a escrita se auto-impulsiona, num reflexo autónomo do nosso sub-consciente, que escapa totalmente ao nosso controlo.&lt;br /&gt;A verdade é que este texto texto foi iniciado em consequência de uma declaração proferida por um insuspeito e conceituado médico (ou doutor, para os mais subservientes), que ouvi num dos programas, paradoxalmente leves, todos eles, disponíveis nos televisores destas paragens.&lt;br /&gt;Não me sinto, no entanto, preparado para o abordar, por ter a mente toldada pelo sentimento de repulsa por tudo o que indirectamente me tentam impingir. Parece que o chip da padronização paira sobre mim, apenas aguardando um momento em que baixe a guarda, para que se aloje algures nas profundezas da minha massa cefálica.&lt;br /&gt;Reconheço que provavelmente estarei a exagerar um pouco, correndo o risco de ser injusto por julgar o todo por algumas partes, mas não gosto do egoísmo subjacente à construção de um lar, cuja vida útil se esgota na da própria geração, sem qualquer sentimento de protecção ou legado aos que de si dependem.&lt;br /&gt;Não gosto do exibicionismo e da ostentação de duzentos ou mais quilos de peso terreno, do desperdício pelo exagero, do desrespeito que isso representa pelos famintos dois terços do planeta e ainda assim, sublime ironia, da apresentação e confecção, como se da oitava maravilha do mundo se tratasse, no canal exclusivamente dedicado à comida (surpreendidos?), do mais requintado dos manjares, de fazer inveja ao mais virtuoso de entre os cozinheiros agraciados com três estrelas do guia Michelin... um enorme hambúrguer de quase um palmo de altura.&lt;br /&gt;E vou-me abster obviamente de descrever a imagem do apresentador na fase de degustação de tamanha alarvidade.&lt;br /&gt;Não gosto do artificionalismo dos cumprimentos conjugados com perguntas acerca do nosso estado emocional, das quais não esperam nem pretendem resposta, nem d0 aparente temor a Deus, condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; à aceitação pela sociedade normalizadora.&lt;br /&gt;Não gosto dos sorrisos de plástico, das comidas de plástico, nem das vidas de plástico que aparentam ter, numa sociedade fabricante de autómatos, onde todos usam as mesmas expressões, pensam da mesma maneira e, acima de tudo, se recusam a aceitar que existe um mundo para além das estrelas e das riscas.&lt;br /&gt;A confirmação deste facto está à distância da abertura do &lt;em&gt;capot&lt;/em&gt; do automóvel de aluguer que puseram à nossa disposição, um "vulgaríssimo" aglomerado de oito êmbolos cuja disposição nos faz lembrar a antepenúltima letra do alfabeto português, e de uma voracidade no consumo de combustível apenas comparável aos quilos de dióxido de carbono emitidos para a atmosfera.&lt;br /&gt;O ambiente, como o bem estar dos descendentes, aparentam ser irrelevantes numa escala de valores em que a locupletação de corpos e contas bancárias e um prato de asas de frango picantes ocupam os lugares cimeiros.&lt;br /&gt;Vejo com tristeza e apreensão a fragilidade moral e o amorfismo social que se instalou e que, se malevolamente manipulados pelas elites, podem conduzir a um estado de hipnotismo global, que leve a considerar razoáveis ou mesmo defensáveis, as mais bizarras ideias e teorias, algumas delas, capazes de irremediavelmente fazer ruir o equilíbrio ainda restante neste tão mal estimado planeta.&lt;br /&gt;A esperança, por seu lado, reside no simples acto de pensar para além do final de cada jornada, na coragem de ser mais do que uma simples formiga obreira, deixando emergir o melhor da natureza humana que há em cada um de nós, em prol de um bem maior... a consciência global.&lt;br /&gt;Quanto aos devaneios da medicina e da biologia, resta esperar pelo próximo estado de alerta de reacção rápida, em terras, não do tio Sam, mas do Rei Alberto II. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Quando todos pensam da mesma forma é porque ninguém está a pensar." &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Walter Lippman &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até já, &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-6123529643852937088?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/6123529643852937088/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=6123529643852937088' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6123529643852937088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/6123529643852937088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/06/asas-de-frangos-sem-cabea_25.html' title='Asas de frangos sem cabeça'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-8132530528232384742</id><published>2007-04-15T15:07:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T17:55:38.854+01:00</updated><title type='text'>Pavão "Reloaded"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não foi consensual a minha posição acerca do uso dos linhos, algodões e fibras de &lt;em&gt;polyester.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Especialmente na comunidade feminina, mais vulnerável à exposição física. Penso ser necessário clarificar alguns dos pontos de vista, para tentar que pelo menos a consciencialização da necessidade prática da mudança de mentalidades, faça ricochete na caixa craniana dos que intelectualmente me apedrejam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me quis alongar demasiado na anterior exposição, para não desvirtuar com detalhes técnicos menores, todo o conceito subjacente ao uso do fato integral. Primeiro erro grosseiro... Para as mulheres, a coloração ou padronização, nunca é um detalhe menor. Arrisco-me a dizer mesmo que é O detalhe... (Ok... vou parar com o ataque à classe... mas que me estava a divertir... o sorriso estampado na minha face não o consegue negar!)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muito bem... a ideia é utilizar materiais que possuam a capacidade de reflectir todo o espectro cromático, capazes de reter e utilizar informação e um sistema central que coordene todo o processo. Nano-escalas... pois claro!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tanta tecnologia para agradar... e com a certeza de não mais subestimar o factor decorativo, mas também ocultativo ou simulativo das vestes. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Traduzindo então a tecnologia por miúdos... imaginemos que caminho, numa noite de lua nova, na berma de uma estrada... que jeitaço me dá uma coloração laranja fluorescente. Já para os ornitólogos, que bom ter uma camuflagem específica para cada terreno, de modo a não amedontrar os objectos de estudo. Ou ainda, ao sabor da imaginação infantil, poder ser o Super-Homem, o Batman ou o Homem-Aranha (que, como todos sabem, é primo do Homem-Salsicha!). Por último, para quem gosta de se exprimir pela coloração ou padronização do que veste, imaginem as possibilidades virtualmente infinitas de todos poderem ser os seus próprios estilistas, e de se tornarem criadores, ao invés de escravos da moda... tudo ao alcance de uma ferramenta informática que possibilitasse a transferência de informação de e para o fato.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora, o lado verde! E não, não é um versão personalizada para o Sr. Paulo Bento. Refiro-me à vantagem ecológica do equilíbrio térmico corporal poder ser mantido sem o recurso a sistemas de aquecimento ou de refrigeração do ambiente, com todas as vantagens ecológicas que isso acarreta (diminuição das emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, poupança energética e preservação dos recursos não renováveis do nosso planeta). Concordam que seria um desperdício tentar aumentar a temperatura da água de um rio, para que o nível de conforto corporal de quem desejasse observar a fauna e flora subaquática pudesse ser mantido em valores aceitáveis, e não se corresse o risco de entrada em hipotermia. Foi muito mais simples inventar um fato de mergulho, actuando directamente no indivíduo, sem ser necessário alterar todo o meio envolvente. Parece lógico, não é?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Então, porque não fazer o mesmo com o ambiente gasoso, se faz tanto sentido fazê-lo com o líquido?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fazendo mais ou menos sentido tudo o que acabei de dizer... não esqueçam nunca que foi sempre o raciocínio, o principal motor de desenvolvimento humano. Se todos nascermos, crescermos e morrermos sem questionar qualquer dos valores instituídos para cada época, a geração seguinte será rigorosamente igual à anterior, e entraremos numa perigosa espiral de estagnação. É fácil deixar para os "cientistas" a responsabilidade de abrir as portas da evolução. Nesse caso, como qualificar os restantes?... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;Resignados&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;, respondo eu!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Albert Einstein&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Três dias para o nosso menino fazer cinco anos... quase um Homem!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um beijo,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-8132530528232384742?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/8132530528232384742/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=8132530528232384742' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8132530528232384742'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8132530528232384742'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/04/pavo-reloaded.html' title='Pavão &quot;Reloaded&quot;'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-7662835491498800750</id><published>2007-04-14T17:45:00.000+01:00</published><updated>2007-06-28T17:54:58.306+01:00</updated><title type='text'>Penas de pavão ou pena dos pavões!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tarde de sábado de alerta, num dia atípico para a tradição belga. Vinte e sete graus Celsius e um sol de fazer inveja à reputação mediterrânica de paraíso balnear.&lt;br /&gt;Um pavão passeia-se, ora à esquerda, ora à direita do cinescópio, a dois metros da minha poltrona. É impossível ficar alheio à euforia colorida e à beleza natural dos seus adornos. Enfim... não encontraria melhor exemplo para definir a expressão... pavonear-se!&lt;br /&gt;Baixo os olhos para me perder na imensa monotonia de verde-azeitona do meu fato, e não deixo de me sentir diminuído no índice potencial de captação de fêmeas.&lt;br /&gt;Será que é apenas disso que se trata, no caso dos humanos? A discussão é mais profunda do que parece...&lt;br /&gt;Já passei por todas as fases, da inocência da nudez natural, à adolescência tribal, pela acomodação à filosofia do vestir despreocupado e, por defeito de profissão, à uniformização pura e simples.&lt;br /&gt;Sinto-me confortável, portanto, para qualificar os trapos que diariamente me (nos) cobrem.&lt;br /&gt;Podia começar com uma frase do tipo, "No princípio era a nudez", e por aproximação à bíblia e à evangelização do mundo, tentar demonstrar que a religião teve um papel preponderante no envergonhamento global. Malditas tribos que ainda não se cobrem, que não conhecem o decoro e a discrição, e que não se ralam nada com isso... Imagino onde arderão de tanto pecado junto...&lt;br /&gt;É óbvio que o pensamento é redutor, mas não retira ao credo religioso uma enorme fatia de responsabilidade no assunto. (Porque é um defeito e não uma virtude, que ninguém tenha dúvidas disso!)&lt;br /&gt;Mas se o tiverem, tentem perceber um dia o ponto de vista do decoro e da discrição de quem vê o mundo pelo rendilhado da veste que representa um dos mais elevados graus de degradação da condição feminina. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas nós estamos tão avançados, dirão... que até o lencinho na cabeça já condenamos... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É só pousar a mão na consciência e perceber o nosso lugar na sequência de eventos, e o grau de culpabilização de cada um. E com que idade iniciamos as novas gerações nessa culpabilização. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo depende, no fundo, de que lado recebemos a luz decomposta pelo prisma... e, mais importante que isso, de quem nos fornece a luz!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, assumidas que estão as vestes que escondem, como naturalmente estarão as vestes que protegem... quero debruçar-me sobre as vestes que decoram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;o mundo da moda é de uma natureza desconcertante. Mas não tanto quanto a mentalidade vigente. Vivemos um tempo em que todos procuram o &lt;em&gt;graal&lt;/em&gt; da individualidade, ainda que cada vez mais iguais a todos os demais. Só assim se explicam os obscenos monopólios de meia dúzia de marcas, que regem a consciência grupal do que é aceitável ser exibido a cada ano que passa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Gostava de ultrapassar isto e focalizar-me no efeito protector, mas há um risinho interior que me impede. A galhofa de imaginar a maior parte das peças do nosso guarda-roupa é mais forte do que eu. &lt;em&gt;Mea culpa&lt;/em&gt; também, porque também eu, de quando em vez, faço uso da tira de tecido opressora do pescoço, que dele pende ociosamente e que tanto uso pode ter no dia-a-dia de um ser humano, com um sem número de aplicações que agora não me consigo recordar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E escuso de avançar para o vestuário feminino...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se ao menos as pessoas fizessem o exercício de estilo de se colocarem na pele dos seus trinetos, em idade adulta, a admirar a figura dos trisavós, nas suas bizarras vestimentas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para além de todo este conceito subjectivo de beleza, o que defendo é que apontemos baterias ao alvo correcto, ao invés de desperdiçarmos potencial cerebral em ressuscitar, a cada 30 ou 40 anos, as roupas que então fizeram furor nas pistas de dança ou salões de baile.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É chegada então a hora da sujeição aos comentários jocosos dos criadores de moda, que pensarão "Olha-me este com a mania de imitar os livros de qualidade duvidosa de ficção científica". Curioso seria demonstrar quanta da ficção científica do passado se tornou na realidade actual (e que bem calçado que estou se me lembrar do senhor Leonardo di ser Piero, vindo da pequena localidade de Vinci, ou ainda de Júlio Verne, de um tempo onde já não era importante saber-se de onde se vinha).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, o meu ideal de vestuário passa por uma única peça, integral, ajustável ao corpo como uma segunda camada epidérmica (entram em cena os apupos dos detractores da exposição da excessiva gordura corporal, especialmente se da mesma forem fiéis depositários), tão ou mais flexível que a versão orgânica, isotérmica e exteriormente estanque, mas permeável à transpiração e respiração cutânea, com um índice imaculado de protecção contra o espectro de radiação electromagnética que a nossa atmosfera começa a ter dificuldade em filtrar, contra a oferta de Prometeu aos Homens e contra as agressões potenciais de vértices afiados dos diversos elementos sólidos do nosso corpo celeste.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seria deselegante se esquecesse a capacidade de suporte às partes do corpo mais sujeitas à acção impiedosa da gravidade e a facultação da invulgar característica que &lt;em&gt;Grenouille&lt;/em&gt;, personagem maior da imaginação de Süskind, tentou sordidamente ocultar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Impressionante caderno de encargos, bem sei, mas ainda assim não tenho a certeza de ser tão eficaz ou útil para o mar de doutores e engenheiros do nosso país como o fiel binómio fato-gravata numa tarde de Verão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo este devaneio perde, no entanto, todo o sentido se descontextualizado do ideal subjacente, a tradução da mais básica das "verdades de La Palisse". Cada corpo é único e é essa individualidade que merece ser realçada, não uma qualquer demonstração de riqueza na forma de símbolo representativo de um criador de moda. Talvez assim a naturalidade voltasse lentamente a morar paredes meias com a beleza, e abandonássemos a idiotice de tentar concorrer com o protagonista animal da minha excitante tarde de sábado.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saudades,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-7662835491498800750?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/7662835491498800750/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=7662835491498800750' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7662835491498800750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/7662835491498800750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/04/penas-de-pavo-ou-pena-dos-paves.html' title='Penas de pavão ou pena dos pavões!'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-8933734568208636963</id><published>2007-04-08T14:35:00.001+01:00</published><updated>2007-04-08T23:17:49.196+01:00</updated><title type='text'>E nunca Querer sem Poder</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi lançada recentemente uma campanha televisiva de promoção da marca Adidas, com uma frase a servir de porta-estandarte, que ecoa no meu subconsciente de cada vez que a leio, no final de cada sequência de imagens do anúncio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Impossible is nothing", do original em Inglês. Invencibilidade, como eu secretamente sempre gostei de lhe chamar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este sentimento, que não representa qualquer fenómeno competitivo com outros seres humanos, regeu a minha maneira de encarar o mundo durante quase trinta anos. Foi a época de ouro desta mole de células, no que à actividade física diz respeito. Não é fácil explicar este sentimento, a quem nunca a ele teve acesso. Penso que a melhor ilustração reside no exemplo, chegado hoje do rio Amazonas, atravessado em toda a sua extensão, a nado, por um ser humano, em pouco mais de dois meses. 99,99% dos espectadores do telejornal ficaram atónitos pela inverosimilhança de tal proeza. Mas 0,01% pensaram... quanto tempo disponível para treinar a cabeça e o corpo? Não se trata de fanfarronice... longe disso... apenas na tradução da frase do anúncio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A invencibilidade que mencionei há pouco, reside na vitória permanente sobre o "eu" obscuro que povoa a nossa mente, e que nos impele a parar sempre que exigimos algum esforço maior sobre o nosso corpo; reside na&lt;strong&gt; sensação de tudo podermos, se assim o desejarmos&lt;/strong&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cometi algumas extravagâncias (aos olhos da sedentária maioria) durante estes anos, sem mediatismo nem visibilidade, por apenas querer demonstrar a validade desta teoria, pelo prazer inenarrável desta sensação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escrevo isto hoje... porque começo a sentir que a palavra que me serviu de armadura contra os mais rebuscados desafios me foge sob os pés, por me lembrar dos jogos de futebol sem relógio, das corridas sem destino, da apneia intemporal, das braçadas, do rolar das rodas dos patins e da bicicleta... sem cansaço. Mesmo quando me afastava de tudo isto por algum tempo, sabia que num estalar de dedos tudo voltaria ao normal, mas agora... já não tenho a certeza de o conseguir novamente. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é o corpo que me atraiçoa... sei que ainda tenho muitos bons anos de força pela frente... foi a cabeça que se esqueceu de quem manda em quem. E o demónio que expele o ácido láctico, sopra agora também a névoa que corrói a vontade de cumprir as três latinas palavras que reflectem o espírito olímpico. E é tão mais difícil derrotá-lo que à mais alta das escarpas...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diz-se que as crianças têm muito vigor, que é impossível acompanhá-las nas brincadeiras, que não sabemos onde vão buscar tanta energia... mas a verdade é que à noite caem exaustas e, não raras vezes dizemos... "coitadinhos... estavam cansados... pudera, brincaram o dia todo".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Será que as campainhas não tocam quando ouvimos as palavras que nos saem da cavidade bucal? Não se ruborizam as faces de tanta bofetada de luva branca? Tanto mais, porque vindas de quem pouca consciência tem da complexidade do mundo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A energia que possuímos é um bem esgotável, é verdade, mas com a idade deixamos de ter, paradoxalmente, consciência de quão fundo é o poço que a alberga. As crianças, por seu lado, nem se preocupam com isso, porque a vontade de brincar move a mais pesada das montanhas (embora se possa uma ou outra vez ouvir, mas por razões mais perversas... "mas assim o Alexandre fica cansado!").&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esta é uma batalha pessoal, que muitas pessoas perderam sem nunca sequer se terem apercebido de ter travado, e que se reflecte na maneira conformada de olhar o mundo, de um viver autómato, que embaraça se mencionado... e por isso negado pelo esvaziamento filosófico individual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E eu, que me arvoro em campeão da astúcia no reconhecimento da subliminaridade do &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; e da publicidade, fico com vontade de comprar mais um par de sapatilhas!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Jamais o sol vê a sombra"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Leonardo da Vinci&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;------&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-8933734568208636963?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/8933734568208636963/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=8933734568208636963' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8933734568208636963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/8933734568208636963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/04/e-nunca-querer-sem-poder.html' title='E nunca Querer sem Poder'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-570923047599626003</id><published>2007-03-12T23:22:00.000Z</published><updated>2007-03-12T23:39:48.410Z</updated><title type='text'>Crónicas do Árctico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta é a terceira experiência Norueguesa, mas a primeira acima do círculo polar Árctico. Não sei se reflexo da mística que o nome acarreta, mas a verdade é que todas as sensações e experiências parecem subjugadas à influência dessa palavra.&lt;br /&gt;Vim por duas semanas. Vim sozinho, acompanhado por uma multidão. Vim para voar…&lt;br /&gt;Recordo-me quando, ainda tenente, se constava que teríamos possivelmente exercícios na Noruega, e eu pensava… que longe, que frio… tudo me parecia tão distante e improvável. A adaptabilidade foi realmente a característica que nos fez chegarmos onde estamos hoje. Vendo a naturalidade com que tudo se processa, nas mais extremas condições, por pessoas que tomaram o sinal negativo da escala de Celsius por companheiro, tornamo-nos mais flexíveis e tornamos exequível o que parecia à partida muito para além dos limites do razoável.&lt;br /&gt;O voo no Árctico é, para além de tudo o que poderá ser dito ou romanceado… extravagantemente bonito! Mas também aqui me parece jogar o factor de excepcionalidade nos olhos de quem avalia. Um viking aviador provavelmente dirá… “Pois, pois, montanhas, fiordes e glaciares… iguais aos que toda a vida galguei… para cima e para baixo, atrás de um qualquer alce mais teimoso que gentilmente me não quisesse ceder os seus galhos!”. Sendo certo que a monotonia pode levar à letargia dos sentidos, ilustrada na incapacidade da maioria residente em reconhecer a suprema beleza da melodiosa ondulação de uma seara, ao ritmo da brisa vespertina, no eterno instante que antecede o chamamento da nossa mãe para jantar, existem sensações que nunca passarão de moda no nosso Eu, quer seja a hipnotizante feitiçaria que o Sol nos oferece na sua (também nossa) aurora boreal, ou a fotografia que escolhemos para ambiente de fundo do nosso computador, se isso significar a nossa vida resumida num agregado de fotões em formato ISO400.&lt;br /&gt;Mas, lamentando a decepção aos defensores dos “hollywoodescos” ases pelos ares, de sorriso e penteado preparados para a câmara, devidamente adornados pela máscara de oxigénio que fica muito bem, mas apenas para a fotografia… o voo militar do século XXI tornou-se de tal maneira complexo, que são pouquíssimas as ocasiões em que a expressão “deixa-me agora ir eu à janela um bocadinho” se possa verdadeiramente aplicar. Não me interpretem mal, podem e devem continuar a roer-se por dentro até ao fim dos vossos dias, porque o melhor emprego do mundo não é pertença do senhor Ronaldo de Assis Moreira ou mesmo do nosso “Hosé” Mourinho. É de um punhado de gente, mais ou menos normal (talvez com um ego ligeiramente dilatado), que pela dedicação, perfeccionismo e treino exaustivo tenta que a carga dissuasora que a imagem de tão forte oponente provoca, sirva para, silenciosamente, proteger a imensa família a que cada um pertence, sejam as suas cores verde e vermelha, ou uma mescla de quaisquer outras. Podem-se questionar os ideais mais ou menos belicistas de uma determinada nação, ou conjunto delas… mas não se questionem nunca os valores daqueles que juraram (no verdadeiro sentido da palavra, e não no sopro oco que se costuma hoje vãmente bradar) colocar os interesses do colectivo à frente da vontade individual, ainda que isso pudesse significar a perda do seu bem supremo…&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;Sinto que o frio enrijece tanto o corpo como espírito nestas latitudes. Apercebo-me que a rudeza, que não deve ser confundida com má educação (por ser a deles), se entranhou na sociedade, sendo vulgar que um viking, ao cruzar-se acidentalmente com um qualquer português, sempre na iminência de uma queda aparatosa na rua gelada, pela mesma razão que não se desculpará perante um poste se acidentalmente lhe der uma traulitada (estava-me mesmo a apetecer escrever esta palavra… tem qualquer coisa dos velhos tempos que me faz ter vontade de a pronunciar), assim continuará impávido e sereno se esbarrar com o aventureiro protagonista do musical “Disney on Ice”, no papel de Pateta.&lt;br /&gt;Existe um encanto nesta agrestia, de casas isoladas na neve, de crianças a esquiar e pais sem receio de traumatismos cranianos, de pescadores nas águas geladas, em cascas de noz há muito caídas da árvore que as viu nascer, de aldeias em ilhas onde até o mais bravo dos animais polares teria receio de se estabelecer, de vontade de mostrar que a determinação é a maior das armas contra as adversidades de um clima que teimou, durante tantos séculos, em fustigar todos os recantos de todos os fiordes deste imenso lugar (soa por aí que começa agora a mudar...).&lt;br /&gt;A verdade, no entanto, é que, quanto mais viajamos, quanto mais nos deslumbramos perante o desmesuradamente belo mundo em que vivemos, mais nos apercebemos da excepcionalidade das nossas origens, dos lugares a que nos acostumámos apelidar de nossos, e sobretudo das pessoas de quem dependemos e que dependem de nós, daqueles que sabemos que nos amam sem nunca precisarem de o ter dito, e daqueles que amamos sem nunca o termos chegado a anunciar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ti, avó,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-570923047599626003?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/570923047599626003/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=570923047599626003' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/570923047599626003'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/570923047599626003'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2007/03/crnicas-do-rtico.html' title='Crónicas do Árctico'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-116164204155485132</id><published>2006-10-23T21:50:00.000+01:00</published><updated>2006-11-18T22:17:35.440Z</updated><title type='text'>Aos que olhando, se recusam a sentir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Sempre me senti tentado a fazer juízos com base em primeiras impressões e, dirão que tonteria... a fazer tábua rasa do provérbio que relaciona caras e corações. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A razão, chocante, ou talvez não... por nunca ter desligado verdadeiramente o ser humano de toda a legião de animais que compartilha esta rocha ambulante a que chamámos Terra. Gosto de dar o exemplo do tão elegantemente aclamado melhor amigo do Homem, por ser o animal que julgo conhecer melhor. Reconhecem ser relativamente pacífico catalogar determinadas raças como amistosas, ou outras ainda como agressivas, embora todas pertencendo à versão amestrada do &lt;em&gt;canis lupus (&lt;/em&gt;&lt;em&gt;familiaris,&lt;/em&gt; como gostamos de lhes chamar). E precisamos de passar horas a estudar em pormenor cada exemplar destas raças para chegarmos a esta conclusão? Concordam que não. Um retriever do labrador será sempre um cão amistoso, independentemente do prisma com que o vejamos, assim como outras raças, como o dogue argentino ou a generalidade das derivações de raças agrupadas pelo termo &lt;em&gt;pit bull, &lt;/em&gt;terão um potencial agressivo e dominador muito mais vincado na sua "canicidade", por paralelismo com o termo personalidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Podem alguns dos primeiros ser agressivos, e alguns dos outros, dóceis como cordeiros? Sem dúvida, sem que retire uma vírgula à generalização que acabo de fazer!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Areias movediças... demasiado movediças na transição para seres humanos. Eu sei... e reconheço que a má interpretação, ou distorção de ideias semelhantes pode ter efeitos desastrosos, sem necessitar de trazer à memória a triste história da primeira metade do século XX.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passei quase trinta anos da minha vida defendendo acesamente o papel educacional como ferramenta impulsionadora da moralização e bondade no mundo. Continuo a pensar da mesma maneira, mas não desdenho agora da estrutura helicoidal que nos deu cinco dedos em cada mão. Costumava rir-me quando me diziam que determinados irmãos, criados pela mesma mãe e pelo mesmo pai, "da mesma maneira", pudessem originar personalidades totalmente díspares. Que era impossível, que o problema estava na parcialidade de quem fazia tais afirmações, e sobretudo pelo não reconhecimento de tratamento diverso a cada um dos seres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reconheço agora, por experiência própria, o quanto distante estava da realidade. Apercebi-me de como, consciente ou inconscientemente, toda a humanidade se auto-adormeceu, no tocante ao instinto animal de reconhecimento de perigo ou animosidade baseada no aspecto físico de algo ou alguém, talvez por vergonha do seu passado recente e de tudo o que isso potencialmente pudesse acarretar. Mas, tal como a energia nuclear, tão mal amada pelo sangrento uso bélico pelo qual infelizmente mais ficou conhecida, também neste caso julgo ser um erro, mas sobretudo um desperdício de talento, ignorar este potencial. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não pretendo rotular permanentemente pessoas (porque acredito que a transformação mental, para o bem ou para o mal, se faz acompanhar de uma transformação física, aparente ou não, conforme os "olhos" com que queiramos ver), mas é importante que não reneguemos o instinto, que provavelmente tanta ajuda nos deu na escalada da cadeia alimentar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não consigo encontrar melhor suporte para esta estranha divagação, que o exemplo das ligações amorosas, ou a catalogação que cada um faz do que é belo ou repulsivo. A minha opinião é a de que, aquilo a que chamamos de química (na ausência de melhor denominação), não é mais do que o reconhecimento inconsciente de similaridades psíquicas, reflectidas nas feições de um indivíduo, com a nossa própria personalidade, sendo válido para aquilo a que romanceamos como amor à primeira vista, ou qualquer outra inexplicável falência ou desfalecimento do coração humano.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Procurem um destes dias , se assim o desejarem, encontrar similaridades entre pessoas que conheçam, e ficarão (ou não), surpreendidos com a convergência aparentemente absurda entre os aspectos físicos e psicológicos dos indivíduos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concordem ou não com tudo o que vos acabei de escrever... sorrisos e sentimentos sinceros conjugar-se-ão eternamente com o verbo apreciar... muito!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O rosto é o espelho da alma"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Marcus Tullius Cícero&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço, um beijo, ou um mimo (consoante o leitor),&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso Gaiolas&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-116164204155485132?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/116164204155485132/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=116164204155485132' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/116164204155485132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/116164204155485132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2006/10/aos-que-olhando-se-recusam-sentir.html' title='Aos que olhando, se recusam a sentir'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-116146842448558461</id><published>2006-10-21T21:29:00.000+01:00</published><updated>2006-10-21T23:34:16.786+01:00</updated><title type='text'>Acto de contrição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Custa-me sempre começar...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não é a ausência de assunto, nem tão pouco desinteresse em manter este hábito a que me forcei para mostrar ao mundo, mas especialmente a mim mesmo que me tornei vivo, num sentido mais lato que a tradução pura do acto reflexo das batidas ritmadas do mais trabalhador músculo do nosso corpo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Custa-me a exposição, por me saber avaliado no que de mais íntimo possuo... algo em que não pensei no dia em que decidi começar esta junção de peças soltas de um "puzzle" que há muito deixou de ser apenas meu, e que, no final, apenas serve o propósito de tornar mais simples a edificação de mais dois que, tenho a absoluta convicção, serão incomparavalmente melhores e mais complexos que o seu predecessor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sinto que há conceitos que não podem pura e simplesmente ser adequadamente discutidos ou expressados na forma verbal, porque o impulso nos tolda a racionalidade... e é demasiado fácil que se sobreponha a emoção onde deveria emergir a razão. Para não mencionar o malvado vento... que agora e sempre volta a insistir em levar todas as palavras que proferimos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, acima de tudo, continuo a não me perdoar pelo facto de não ter tido coragem para começar mais cedo... por eles! Não para que tomem as minhas posições ou opiniões como realidades únicas, mas para que com elas possam olhar, questionar e finalmente criar aquilo que considerarem ser a sua visão do cosmos e da escala de valores que regerá as suas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Espero que, com o advento de mais esta série de noites afastado do sítio onde pertenço, se esgotem os argumentos do demónio da imobilidade para tão prolongada ausência!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;-----------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"Só se é curioso na proporção de quanto se é instruído"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Jean Jacques Rosseau&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-----------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Godspeed&lt;strong&gt;*,&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;O vosso pai&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;-----------&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;*&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;(perdoem-me o egoísmo, mas este desejo é exclusivamente para eles... e a ausência de tradução, por não conseguir encontrar um equivalente apropriado para a nossa língua)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-116146842448558461?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/116146842448558461/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=116146842448558461' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/116146842448558461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/116146842448558461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2006/10/acto-de-contrio.html' title='Acto de contrição'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-113919256575815267</id><published>2006-02-06T00:02:00.000Z</published><updated>2006-02-06T02:22:45.833Z</updated><title type='text'>Saudade escreve-se com cinco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quanto é pouco tempo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto é muito tempo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto é demasiado tempo?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não desejo quantificar o inquantificável, nem tão-pouco tecer considerações pseudo-científicas acerca do referencial das escalas macro ou microscópicas, quando falamos do Espaço em movimento.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interessa-me hoje, apenas e só, tentar perceber as suas implicações no dimensionamento da terrível (que no léxico de uma criança de três anos pode significar o mais elevado grau de malvadez) palavra tão tipicamente portuguesa, que de tão forte, em si resume a essência da nossa maior tradição musical.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falar de saudade é como falar de memória. Uma e outra palavra imiscuem-se de tal forma que, a menos que todo o nosso passado nos envergonhe ou atormente, sempre que abrimos estas gavetas repletas de informação religiosamente guardada, sinapse após sinapse, neurónio atrás de neurónio, é o perfume amargo da saudade que libertamos, por algo que nunca mais se repetirá nas nossas vidas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não mais esquecerei a resposta de um octogenário comum, quando questionado por um adolescente aparvalhado, sobre aquilo que mais lhe custava em ser velho. Com um olhar lacrimejante que não consigo reproduzir num limitado alfabeto de 23 letras, respondeu que era... lembrar-se de quando era novo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ponto final nesta primeira parte da questão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fácil é constatar que retratei até agora, fruto da irrepetibilidade da sequência temporal da nossa existência, a lembrança de algo que se extinguiu, quer sejam os dez segundos anteriores à leitura deste parágrafo, ou os dez segundos posteriores ao nascimento de um filho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da segunda parte, daquela saudade que nos faz sofrer em antecipação, por sabermos de antemão que irá ocorrer, e que nos dilacera durante, por deixarmos as gavetas escancaradas, por no fundo gostarmos do inebriação que o perfume provoca, por nos fazer sentir mais perto daqueles que tivemos temporariamente que deixar, dessa segunda parte da questão é tão mais tormentoso falar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quarenta dias é um intervalo temporal bíblico. É também provavelmente o número de vezes que a tal palavra ecoará em cada recanto meu, antes ainda que o hemisfério norte do nosso planeta assista ao solstício de Verão. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Demasiado tempo... sei-o, por já possuir um referencial.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, mais do que tentar explicá-lo agora, remeto para vós a percepção ajustada daquela que foi a minha própria percepção, distorcida pelo facto de os acontecimentos se estarem a desenrolar no momento em que escrevia. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que em seguida lerão foi retirado da  gaveta da saudade que sabemos de antemão ter um fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;CINCO DIAS&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Quando as horas parece que queimam, quando o mundo me oprime com a força de mil atmosferas, quando me forçam a estar longe de vós... tudo o que vejo, cheiro, e toco lembra o toque, o odor e a visão das três caras mais preciosas e bonitas que o meu coração alguma vez possuirá. Então, nessas horas infernais, a simples despedida, num cais frio, húmido, isolado da ignorantemente invejada civilização, de um pai que parte porventura para mais uma semana de trabalho num qualquer lugarejo, mais frio e húmido que o cais que neste momento pisa, a mãe que segura um filho que não compreende a injustiça de um mundo que separa a árvore dos seus frutos, as lágrimas que verte por dias de solidão que mil soldos não pagam... as mãos frágeis de criança que estendidas suplicam que fique; dois passos atrás para um último beijo interrompido pela incómoda buzina que chama,  uma lágrima que não chega a correr pela face, que os homens serão fortes mesmo quando não o são... E o barco que parte... e a criança e a mãe num aceno frenético, o pai que responde, com a complacência de um gesto inúmeras vezes repetido, e a consciência pesada pelos mil soldos que não apagam a dor deste cenário, e a premonição da continuidade, que o frio e a humidade farão sempre parte daquele cais! &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;E eu no barco, olhar fixo no homem desolado, desolado como ele, desolado mais que ele... Choro como ele, choro por dentro, dividimos uma dor que mais ninguém sente nem vê...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Desfoco... volto a focar o olhar... e vejo-te linda no cais... vejo duas crianças que correm e acenam, vejo o meu reflexo em vós... e o cais que parece fugir... &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Ordeno que virem o barco, mas ninguém parece ouvir-me... Vocifero contra todos quantos passivamente deixam que o frio húmido se entranhe nos seus corações, lanço-me na façanha de virar o barco com as minhas próprias mãos... olho para o lado e o homem que me ajuda, o olhar de esperança que me fulmina... o cais que fica mais perto, à distância do salto que o homem dá sem hesitar... as madeiras que rangem queixando-se do peso suportado pela corrida desenfreada... e a humidade que se afasta... e o frio que desaparece... quando a árvore deixa de abanar e recolhe no seu interior os tesouros que nunca lhe deviam ter sido retirados.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Tu, ao invés... serenamente pegas nas crianças, deslumbrante como estavas no dia em que me enamorei de ti, e calmamente te sentas ao meu lado... e as crianças que dormem a sorrir nos nossos colos, e a tua cabeça no meu ombro... &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;-"Faltam cinco dias", sussurro-te... &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;... e as horas param de queimar.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Afonso&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-113919256575815267?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/113919256575815267/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=113919256575815267' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/113919256575815267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/113919256575815267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2006/02/saudade-escreve-se-com-cinco.html' title='Saudade escreve-se com cinco'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-113415907486573590</id><published>2005-12-09T14:55:00.000Z</published><updated>2005-12-09T20:11:14.906Z</updated><title type='text'>A teoria da Segunda Oportunidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As "&lt;em&gt;discussões filosóficas&lt;/em&gt;" que fui tendo, ao longo da minha vida, com as diversas personagens que comigo contracenaram nestes últimos trinta anos, ajudaram-me a construir uma base de sustentação sobre a qual edifico a minha opinião acerca do castigo supremo a aplicar àqueles que cometam o supremo dos crimes, e à qual me habituei a chamar &lt;strong&gt;Teoria da Segunda Oportunidade.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para quem acredita que o cair da última folha... que o derradeiro suspiro coincide com a derradeira consciência de existência, à qual apenas sobrevive a dolorosa e inapagável memória, torna-se insustentável a angústia de saber ser utilizada esta via como forma de combater o fardo da delinquência que as sociedades têm que carregar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Correu mundo a milionésima execução no interior das fronteiras do Estado que se arvora como o modelo a seguir neste nosso querido planeta. Pior que a falsa modéstia, só a arrogância assumida... e neste caso, no país que, a avaliar pelos finais de discurso dos seus governantes, em jeito de submissa súplica, Deus mais vezes abençoou, tão levianamente se quebra a quinta das dez mais básicas regras que Ele sussurrou a Moisés no Monte Sinai. Apetece-me até dizer que de falsa moralidade está o quente Inferno cheio, e ainda assim não tão quente como Beja!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sendo certo que todos os actos ilícitos, à luz do que em cada tempo consideramos moralmente aceite ou condenável, devem ser exemplarmente punidos, a noção de proporcionalidade não pode ser entendida à letra para cumprir este último objectivo, sob pena de nos tornarmos também implicitamente (porque todos, directa ou indirectamente escolhemos as nossas leis)ladrões, violadores, ou... assassinos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A minha visão da palavra castigo, que tento aplicar em todas as ocasiões em que me é exigida interacção com o mundo, está directamente relacionada com os conceitos de consciência do erro e transformação regenerativa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Infelizmente, nem todos os seres humanos puderam nascer e crescer no seio de famílias ou comunidades onde lhes pudesse ser incutida, com traço indelével, a noção de Bem e de Mal, de modo a que, na maturação da sua personalidade, se tornassem indivíduos tão bons ou melhores que a geração anterior, ao invés de se tornarem tão maus ou piores que a geração que os precedeu. Na sua ordem de ideias, natural pode ser o furto; natural pode ser o pai agredir a mãe ; suportável pode ser a morte como meio para atingir um fim.  &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E afinal, como poderia saber o Tarzan quanta falta de educação seria comer com as mãos, sentado, à mesa, antes da Jane o endoutrinar?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fácil é concluir que, quanto mais criminalidade houver, mais incompetente se tem que assumir a sociedade, por não conseguir transmitir os valores que a regem a um cada vez maior número de indivíduos. E, de uma vez por todas, temos que aprender a assumir que a sociedade somos todos e cada um de nós, acabando com o refúgio na palavra Estado, esse conceito demasiado etéreo que facilmente nos iliba de quaisquer responsabilidades que nos queiram conferir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nos tempos em que jogava à bola nas ruas da minha terra, com duas pedras a servirem de baliza improvisada,  provando a sua característica de amovibilidade o número de vezes directamente proporcional ao número de carros que atravessassem a dita via durante o jogo, nesse tempo, a sociedade não fugia à responsabilidade de formar os projectos de Homens, nem os progenitores se sentiam feridos na sua honra se alguém que não eles, corrigisse ou repreendesse os seus filhos. Quando muito, uma seta apontada ao orgulho, pela falha daqueles que sob o seu tecto coabitam.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Hoje, fruto da indiferença e do culto do umbigo, nem a sociedade se interessa por formar os jovens, nem a família tolera que alguém lhes diga ou publicamente demonstre que o ser perfeito ainda não nasceu, nem tem o apelido pelo qual respondem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se acrescentarmos agora, à indiferença social, a ausência de suporte familiar, ainda que do tipo de acabei de descrever, rapidamente conseguimos perceber a existência de pessoas desajustadas, incapazes de se integrar no complexo &lt;em&gt;puzzle&lt;/em&gt; em que se tornou a vida em sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Devemos desculpar-lhes portanto os actos ilícitos, apenas porque não tinham conhecimento da ilegalidade dos mesmos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas temos a obrigação de lhes mostrar a &lt;em&gt;luz,&lt;/em&gt; de modo a que se adquira a consciência do erro cometido e se dê a transformação regenerativa que falava há pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Deve a privação da liberdade ser uma das medidas a adoptar, até que essa consciência tenha sido adquirida e a transformação efectuada?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sim, assegurando durante esse hiato temporal, a protecção dos demais elementos constituintes da sociedade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não entendo, contudo, que a privação da liberdade se efectue, qual pacote de férias na Riviera Maya, nos moldes de "tudo incluído", sem responsabilidades perante os demais. Na minha opinião, o trabalho comunitário remunerado (indexado ao salário mínimo nacional), em função das habilitações ou habilidades de cada um, deveria ser uma obrigatoriedade e não uma opção, de modo a assegurar, quer o pagamento das despesas do seu cativeiro, quer as indemnizações às pessoas ou entidades lesadas pelos seus actos, devendo uma percentagem mínima estar no entanto salvaguardada para o próprio, que serviria de demonstração de acumulação de riqueza como consequência do esforço honesto individual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tempo de privação da liberdade variaria em função da gravidade moral do acto, directamente proporcional à sua dívida material, sendo assegurada a todos, no entanto,  uma segunda oportunidade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É tempo de entrarmos com o factor emocional nesta dissertação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se a desgraça nos acontecesse entre portas? Teríamos a mesma frieza de análise ou de complacência perante o ladrão, violador ou assassino?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É imperativa a necessidade racional de não existirem excepções, sob pena de deitarmos por terra toda a elevação que conseguimos à humanidade, regressando ao tempo medieval da justiça pelas próprias mãos, cortando mãos, tirando olhos, ou apedrejando cabeças que no final, nos olharão de igual para igual, de animal para animal!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teleportamo-nos agora para o final do castigo, assumida que está a consciência do erro e a transformação regenerativa. É importante referir que defendo que exista um tempo de pena mínimo e não máximo,  que poderá ser prolongado até que a transformação regenerativa se tenha processado. Asseguram-se assim a resolução dos casos difíceis em que, apesar da tomada de consciência do acto,  não se tenha verificado a transformação regenerativa do indivíduo, havendo pois fortes probabilidades de reincidência no acto ilícito, deixando a sociedade desprotegida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não havendo então no final do castigo mais desculpas  para que esse cidadão não seja doravante exemplar, ainda assim ele o volta a cometer (no pior caso, são já pelo menos duas as vidas humanas inocentes que se perderam), tem a sociedade a obrigação de se proteger, nos casos dos crimes mais hediondos, pelo &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;permanente afastamento&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; desse seu elemento da vida em comum com os demais, ficando obrigado até ao fim da sua existência à reclusão e trabalho em prol da comunidade que violentou!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço a todos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Afonso&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-113415907486573590?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/113415907486573590/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=113415907486573590' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/113415907486573590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/113415907486573590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/12/teoria-da-segunda-oportunidade.html' title='A teoria da Segunda Oportunidade'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-112735034708393222</id><published>2005-09-22T01:51:00.000+01:00</published><updated>2005-12-20T23:41:52.983Z</updated><title type='text'>A redoma</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Parti para longe...&lt;br /&gt;Demasiadas horas, demasiadas milhas náuticas a separar terra e coração...&lt;br /&gt;De cada vez que parto, sei que volto diferente. Se algo de bom pode haver em nos afastarmos, é sem dúvida a mudança de perspectiva perante o marasmo putrefacto que exala de cada esquina de cada rua, de cada bairro, de cada povoado deste país.&lt;br /&gt;Sem chamar galinhas de vizinhas à conversa, a verdade é que a sensibilidade perante pormenores aparentemente insignificantes, e aos quais não daríamos importância alguma quando absortos na nossa vida de autómatos alimentadores do monstro marinho chamado sociedade, muda radicalmente, qual efeito de comprimido vermelho recém-tomado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já algum tempo me fazia esta pergunta, provavelmente ingénua, provavelmente descabida a olhos turvos de cifrões... do porquê da inexistência de corredores específicos para pedestres e ciclistas em todas as vias do nosso país, fossem elas municipais, regionais ou nacionais. Mas só contemplando a felicidade de uma família que, descansadamente, se pode deslocar de um ponto a outro, abdicando do seu veículo automóvel, sem receio de se tornar protagonista de uma cena de atropelo e fuga, no papel principal de acidentado, pude passar para o "papel", o que há tanto tempo pensava sem expressar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que desperdício de alcatrão... voltam os cifrões a esgrimir como argumento de contenção orçamental.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que falta de visão, respondo eu sem sequer precisar de erguer o florete.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não são as distâncias a percorrer que são grandes... as nossas pernas é que ficaram mais curtas. Lembro-me das histórias mais rocambolescas, contadas na primeira pessoa, de lágrimas de saudade ao canto do olho, de deslocações entre aldeias ou vilas, separadas por vários quilómetros, nos tempos em que o carro era a excepção e o meio de transporte mais utilizado fazia juz ao lema... "um bocado a pé, um bocado andando"! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um bom par de décadas passaram... é verdade. Mas em vez de protegermos quem queira, ao invés de contribuir para o agravamento do défice da balança comercial portuguesa, consumir calorias no lugar de litros de petróleo refinado, deixando Portugal de fora da vergonhosa estatística dos que morrem, não por falta de alimentos, mas pelo seu consumo excessivo face à energia que dispendem, alcatroamos uma, duas, se necessárias três faixas de rodagem, eliminando bermas, passeios, ou quaisquer outros caminhos que se possam tornar pedonais. Detesto o olhar fulminante com que a esmagadora maioria dos condutores me trespassa, sempre que tento despir a pele de carneiro, saindo do movimento ao qual empresta o nome, e resolvo partilhar um qualquer caminho num qualquer meio de transporte que não o mesmo que conduzem. Já tentei de tudo... a pé, de patins, ou de bicicleta... o resultado é sempre o mesmo. A menos que possuas um tubo de escape de gases carbónicos, não és bem-vindo à válvula de alívio de recalcamentos laborais ou sentimentais... perdão, estrada!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E nascerá ainda o dia em que o monstro marinho nos culpabilizará por delapidarmos demasiado do erário público em luta contra o entupimento de artérias, veias e capilares... sem perceber que na sua ânsia de modernidade, perdeu a noção do equilíbrio, do bom senso... mas sobretudo do valor de um bom passeio pelo parque!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-112735034708393222?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/112735034708393222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=112735034708393222' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/112735034708393222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/112735034708393222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/09/redoma.html' title='A redoma'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-111413270866172743</id><published>2005-04-22T02:17:00.000+01:00</published><updated>2005-04-23T14:56:32.246+01:00</updated><title type='text'>Referendo sobre o aborto, ou um aborto de referendo?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Diz-se daqueles que, apesar de receberem contínuos sinais de recusa das fêmeas que tentam cortejar, apesar de engolirem mais sapos do que as margens da ribeira de Cobres albergam, se insinuam de tal forma insistentemente que a conquista do troféu se dá pelo cansaço, diz-se, dizia eu, que a façanha foi conseguida por "esmagamento".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Serve esta analogia para ilustrar o que me parece ser o pensamento de alguns sectores da nossa sociedade face à problemática do aborto em Portugal.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Merece o assunto as controvérsias de proporções bíblicas que proporcionou nos últimos tempos?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isso e muito mais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Penso, contudo, que muito se tem rematado, mas continuamente ao poste, poucas vezes se discutindo o que realmente interessa debater.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou começar pela própria palavra ABORTO - Acto ou efeito de abortar. Nunca o dicionário refere a aniquilação de um ser como significado da palavra, mas ao invés, define-a como a expulsão do feto antes do fim da gestação, ou ainda "o que nasceu (&lt;strong&gt;começou a ter vida exterior&lt;/strong&gt;) prematuramente".&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Curiosa esta diferença conceptual de vida exterior e interior, tão curiosa que nalgumas comunidades que não a nossa, de desenvolvimento imaculado e mãos sempre limpas, se considera a contagem de ambos os períodos na idade das pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todos consideramos como o mais hediondo dos crimes a eliminação de um ser recém-nascido. Pois bem, construamos uma simples fita de tempo. No intervalo temporal D+x (sendo D o momento do nascimento e x qualquer período que escolhamos (1 mês, 1 ano, 10 anos, 100 anos, ...), a palavra assassínio estará sempre presente, se decidirmos aniquilar um ser humano em qualquer destas idades. Mais complexa se torna a análise se trocarmos o sinal da adição pelo da subtracção. A partir de que momento consideramos estarem reunidas todas as condições para que, em consciência, possamos afirmar existir VIDA? Pensar demasiado sem conhecimento científico suficiente, torna angustiante a busca de respostas. Confesso que foi o que me aconteceu. Tanto mais que a proliferação de artigos sobre o tema em causa só torna ainda mais nebulosa a formação de uma opinião. Uma fracção de segundo, um dia, dez, doze, dezasseis semanas ou nove meses?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Defendo que as leis de um país se devem reger pelos valores morais que os seus cidadãos consideram ser os correctos, nunca se devendo ceder à tentação de resolver um problema com outro problema. Não me serve portanto o argumento da falta de informação, da má qualidade das instituições de solidariedade social que prestam a educação a quem não pôde ser acolhido por uma família, da inconveniência temporal, ou qualquer outro de cariz similar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em coerência devo portanto afirmar que, sendo o valor da vida o mais importante na escala das pertenças individuais, a partir do momento em que cientificamente me provarem que a centelha existe, devem ser repudiados todos os actos contrários ao seu desenvolvimento e maturação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois, pois, centelha é muito vago... &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava só a tentar ganhar tempo para que o meu cérebro me ajudasse...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Disse cérebro?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se trocarmos um rim, continuamos a ser nós próprios? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concordam que sim!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se trocarmos de coração, continuamos a ser nós próprios?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concordam que sim!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E se trocarmos de cérebro?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu convictamente penso que não. Acredito aliás que a verdadeira fonte de longevidade para os seres humanos reside na substituição de "componentes", preservando ao máximo o único insubstituível - o cérebro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Reside aqui portanto a resposta à minha pergunta.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que no momento da concepção, potencialmente temos uma vida a ser gerada. Mas estamos ainda no domínio das células indiferenciadas, e a verdade é que, mexendo os cordelinhos certos, ou errados, conforme o ponto de vista, podemos gerar uma miríade de monstruosidades que com a vida nada têm em comum. Não considero portanto que os inúmeros bancos de embriões existentes pelo mundo sejam imorais, uma vez que a essência de cada ser individual ainda não existe - que o cérebro ainda não se formou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Parece ser cientificamente aceite que todos os principais componentes do cérebro são claramente distinguíveis praticamente cinco semanas após a concepção. Assim sendo, em nome da coerência, até essa data (ou qualquer outra mais precisa que cientificamente seja acreditada) não deveria ser criminalizada, penalizada, ou sequer moralmente condenável a decisão de inviabilizar a evolução do embrião. Dentro deste período, englobar-se-iam os casos excepcionais já previstos na nossa legislação, exceptuando claro o risco de vida para a mãe. Para a análise de malformações, ter-se-ia que fazer um esforço, grande, é certo, mas realizável se bem direccionado no sentido de, por análise genética, se determinar o mais precocemente possível a sanidade de cada futuro ser humano. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tendo tornado clara a minha posição, resta-me tecer um comentário, necessariamente cáustico ao &lt;em&gt;slogan &lt;/em&gt;"A barriga é minha, faço dela o que quiser!", e outras idiotices do mesmo calibre, que só tornam ridícula a posição de algumas mulheres, que pensam ser este o cavalo de batalha final contra a opressão masculina. É verdade que é o indivíduo do sexo feminino o veículo hospedeiro do novo ser que está a ser gerado, e que provavelmente é o acto mais nobre a que alguém poderá em toda a sua vida aspirar, mas isso não tira o direito e simultaneamente a responsabilidade do homem perante o seu filho. Deveríamos pois ver ambos os progenitores condenados pelo acto abortivo, se existisse o conhecimento da acção, mas pela mesma ordem de ideias, negar a unilateralidade materna na decisão de continuar, ou não, com o processo de gestação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto aos direitos sobre a barriga, esses são inalienáveis (embora algumas devessem receber mais conselhos sobre estética), mas quando se trata da geração de um novo ser, ainda e sempre reaparece o velho, mas sábio conceito, que sumariamente nos lembra que a liberdade individual termina onde começa a liberdade de terceiros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decidam em consciência!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-111413270866172743?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/111413270866172743/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=111413270866172743' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111413270866172743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111413270866172743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/04/referendo-sobre-o-aborto-ou-um-aborto.html' title='Referendo sobre o aborto, ou um aborto de referendo?'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-111111454887856631</id><published>2005-03-18T02:54:00.000Z</published><updated>2005-03-18T02:55:48.890Z</updated><title type='text'>Sadismo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A minha última divagação prendeu-se com a ainda imperiosa necessidade global de eliminar seres vivos para que se assegure a sobrevivência da nossa espécie. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois bem, hoje reflicto sobre algo bem mais sombrio... a imperiosa necessidade de eliminar ou flagelar seres vivos para gáudio de quem, por razões que só Freud provavelmente descortinaria, encontra prazer e divertimento no sofrimento alheio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Longe da nobre atitude dos índios da América do Norte, que enalteciam publicamente o sacrifício dos animais que abatiam, por servirem para saciar a fome de todos, conhecemos hoje, virada que está a página do século vinte, e com um bom par de palavras escritas no século vinte e um, um grupo heterogéneo de pessoas, que de comum apenas têm o desrespeito pela vida, tal como a conhecemos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apelidar-me-ão de fundamentalista, mas, no âmago da questão, não encontro diferenças entre os caçadores desportivos, os profissionais e os adeptos das touradas, os defensores da elegantíssima manifestação de riqueza a cavalo, que dá pelo nome de caça à raposa, ou os incitadores, patrocinadores, apostadores e assistentes de lutas de cães, de galos, de cães com ursos (de garras devidamente arrancadas, que a peleja quer-se justa), ou de qualquer outra combinação macabra que uma mente desequilibrada possa congeminar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por saber da celeuma que tais palavras provocam em muitos milhares de portugueses que, por um lado, não consideram o seu passatempo ou paixão, algo de desonroso ou condenável, e por outro, não se revêem nas restantes personalidades integrantes do grupo atrás mencionado, passarei a explicar as razões de tal agregação e condenação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A caça, no seu sentido mais puro, sempre existiu, e existirá infelizmente durante mais algum tempo. Mas não é da caça, integrada no conceito da cadeia alimentar, aquela a que me refiro, mas da caça pelo prazer de matar, pela satisfação dos troféus conquistados, quer sejam eles chifres, dentes, garras, ou o animal no seu todo. É impossível encontrar argumentos que sustentem a eliminação de qualquer espécie, com base na necessidade de divertimento, de acréscimos artificais de adrenalina e exibicionismo humano. É tão fácil, nos dias de hoje, encontrar um substituto para esta prática, cumprindo os mesmos objectivos, mas não eliminando qualquer ser vivo (eliminação  que será permanente, mesmo para os crentes na versão do cristianismo, uma vez que não existe versão animal para os lugares à direita, ou mesmo à esquerda do Pai).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No caso das touradas, é interessante ver a posição de quem, tentando defender o indefensável, ainda se arvora protector do animal que vê flagelado. Alegam os defensores da tourada (irrelevante diferenciar se de morte ou à portuguesa), que os sortudos animais só existem para que o espectáculo continue, e que, caso contrário, já se teriam extintinguido há muito. Ainda que isso correspondesse à verdade (não estou em condições de o verificar), quereria porventura dizer que os animais, por infinito agradecimento aos seus benfeitores, assinariam um "&lt;em&gt;cheque-lombo"&lt;/em&gt; em branco, para toda a eternidade, e todos os dias sem cessar agradeceriam ao criador cada farpa, e porque não, cada orelhinha cortada, ou ainda, glória suprema, cada morte na arena (se ovacionada a preceito) gentilmente concedida. Pela mesma ordem de ideias, qualquer espécie em vias de extinção que fosse protegida, por quem quer que fosse, teria uma dívida de sangue para com o seu defensor, que poderia ser cobrada em qualquer cenário ou arena, para deleite de todos quantos quisessem assistir. Seria sem dúvida então curioso assistir à "lobada" ou à "lince-ibericada", cumpridas a preceito por todos os que, directa ou indirectamente, contribuem para a preservação destas espécies.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com a tradição inglesa de caça à raposa não perderei muito tempo, uma vez que, felizmente, alguns bons Homens com algum poder, resolveram recentemente proibir tal manifestação medieval.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto às lutas, convém distinguir desde já que, para aqueles cuja frase pré-formatada é a de que os Homens também o fazem, que tudo se resume a uma palavra que faz toda a diferença... voluntarismo. É legítimo (porque cada pessoa é dona de si própria), que dois seres humanos maiores e vacinados, se combinem encontrar num ringue de meia dúzia de metros quadrados, para se esfacelarem mutuamente até que alguém desfaleça ou chegue a hora do jantar, o que acontecer primeiro. Já com os animais o caso muda de figura. É verdade que os animais naturalmente lutam. Mas não é legítimo que os treinemos especificamente para esse fim, nem que os forcemos a tal (que bem bastam as desavenças que envolvem saias... mesmo no mundo animal), mas pior, que vejamos em tudo isso uma forma de diversão, de ganhar dinheiro, ou apenas de passar o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em todo o mundo, em todas as épocas, se cometeram barbáries, algumas delas, como demonstrado, se prolongaram até aos dias de hoje. Não defendo que varramos a nossa herança histórica para debaixo do tapete, mas existe uma altura em que devemos, em nome da coerência e da racionalidade, perceber a imoralidade de determinadas práticas que, em nome da cultura e identidade grupal se mantêm vivas e, de uma vez, evoluir para um projecto de Humanidade com objectivos mais altruistas e consentâneos com o nível de desenvolvimento cognitivo que todos julgamos possuir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-111111454887856631?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/111111454887856631/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=111111454887856631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111111454887856631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111111454887856631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/03/sadismo.html' title='Sadismo'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-111076767887704417</id><published>2005-03-14T02:34:00.000Z</published><updated>2005-03-14T02:43:52.940Z</updated><title type='text'>Predação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A paternidade tem o dom de nos forçar a pensar, edificar e emitir opiniões, com a responsabilidade de as mesmas constituírem traço indelével na personalidade dos que educamos, em assuntos que habitualmente não nos ousaríamos debruçar, quer por nos deixarmos absorver pela azáfama quotidiana, quer por pura preguiça mental. Opiniões que rapidamente transitam da futilidade da paixão clubística aos valores mais profundos da espiritualidade humana.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É comummente aceite ser relativamente simples demonstrar a separação do Bem e do Mal, no seu sentido mais cru, sendo prodigiosa a capacidade de assimilição deste conceito por parte das crianças (recordo-me, a propósito, das expressões do meu filho de dois anos e meio perante a personagem encarnada pelo ser computorizado &lt;em&gt;Sméagol/Gollum&lt;/em&gt; em "O Senhor dos Anéis", que em função da personalidade emergente do momento, caracterizava de "um bocadinho bom", ou "um bocadinho mau"!&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;*&lt;/span&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Enquanto o Bem se mantém cristalino e o Mal obscuro, a tarefa formadora resume-se ao acompanhamento do frenesim catalogador de bons para um lado e maus para outro, sem rodeios nem apelos a instâncias superiores, que a pureza incorruptível das crianças torna desnecessários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Porém, quando os dois termos se imiscuem, tornando cinzento o que outrora fora preto e branco, tudo se complica.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vem isto a propósito da mortandade que caracteriza o mundo em que vivemos. Escolhi esta agressiva palavra, por querer abranger todas as relações entre seres vivos que neste planeta habitam. Por querer factualizar a necessidade permanente de algo ou alguém ter que morrer para que a vida continue. É a explicação deste paradoxo, não apenas na visão científica, mas na vertente moral, que se torna num dos maiores desafios com que até hoje alguém se deparou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É fácil ensinar a cadeia alimentar e orgulhosamente mostrar o &lt;em&gt;Homo Sapiens Sapiens &lt;/em&gt;no topo, olhando sobranceiramente para todas as criaturas sob o seu domínio (é interessante notar o facto de, nas ilustrações relativas a este tema, os humanos serem constantemente suprimidos e substituídos pelos predadores irracionais). Pois... parece que nos orgulhamos de, contrariando todas as expectativas, estarmos no topo da cadeia, mas simultaneamente sentimos a suprema ignomínia por dela não nos conseguirmos libertar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou terminantemente contra a ocultação da verdade às crianças, na esperança de as proteger. Na verdade, apenas contribuímos para a perda daquela confiança preciosa que a nossa descendência em nós deposita, e que nos faz sentir no rumo certo da nossa caminhada. Nunca ocultei portanto a proveniência dos alimentos com que se confeccionam as refeições que os fazem crescer e ficar fortes, nem o destino de todos os seres, quando a última centelha de vida se extingue (a visão que acredito ser a correcta... de que tudo estará então consumado).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Apesar de não deixar de sentir o peso da responsabilidade humana pelo atraso no conhecimento científico, que já tivesse levado à sintetização química de todas as substâncias necessárias ao regular funcionamento do nosso organismo e à sua aplicação nas doses diárias ideais, de modo a permitir que as palavras fome e obesidade pudessem fazer companhia aos pterodáctilos e seus irmãos; de modo a nos permitir olhar para a cadeia alimentar do lado de fora, e não sentados no topo. Apesar de tudo isso, aceito ainda a mortandade das espécies que considerámos adequadas (curiosamente aquelas que mais se mostraram amistosas, perdão, domesticáveis) a uma alimentação equilibrada, na esperança de que apenas seja temporariamente. Para os que me estão a acusar neste momento de querer "plastificar" um dos poucos prazeres genuínos que nos restam, lembrarei um episódio da saudosa série "Quinta Dimensão", que sumariamente retratava a vinda à Terra de um conjunto de seres superiores que pretendiam levar nas suas naves tantos humanos quanto possível, para poderem dar uso a um livro intitulado "Como cozinhar para humanos". Só no final, quando as portas das naves já se haviam fechado, é que se percebeu que a palavra "para" tinha sido estrategicamente acrescentada ao título original do livro alienígena. Lembro-me de, na altura, me ter indignado perante tal façanha, que me pareceu profundamente desprezível. A verdade é que custa ter de encarar o problema do ponto de vista de quem é ou será a vítima, piorando um pouco se se tiverem criado laços de confiança prévios. Daí que tudo seja uma questão de escala, tornando absurda a ideia do vegetarianismo por piedade aos animais. Ou estamos fora, ou inteiramente comprometidos com a inevitável cadeia, não havendo moralidade para sentir indignação perante o cenário, que espero se mantenha no domínio da ficção, de existirem degraus acima daquele onde nos sentamos neste momento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;*&lt;/span&gt; Devo dizer que rejeito liminarmente qualquer acusação de desrespeito pela classificação dada aos filmes em função da idade a que se destinam. Considero-as perfeitamente válidas, quando não existe supervisão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-111076767887704417?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/111076767887704417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=111076767887704417' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111076767887704417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111076767887704417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/03/predao.html' title='Predação'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-111050300544403754</id><published>2005-03-11T01:01:00.000Z</published><updated>2005-03-11T01:03:25.456Z</updated><title type='text'>Realiza quem atende!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não me considero uma sumidade no domínio da linguística, nem de todo inflexível no que respeita à evolução da língua portuguesa, em função das necessidades reais de quem, a cada momento, a utiliza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É verdade que assisto com alguma apreensão à proliferação desta nova forma de comunicação escrita abreviada, fruto da voracidade com que se pretendem transmitir pensamentos e sentimentos, quer pela rede computacional global, quer pelos novos dispositivos portáteis de indução de mutações celulares , que atingem hoje uma taxa de penetração tão elevada no nosso país que apenas encontram já paralelismo no número de simpatizantes e apoiantes do Benfica - aproximadamente 11 milhões, só em Portugal continental. Mas mesmo este tipo de escrita glutona tem um racional implícito, quer na poupança forçada de caracteres a que a tirania das mensagens escritas sujeita os seus utilizadores, quer na irreverência, mas simultaneamente fragilidade natural de quem, no auge da adolescência, pretende, por um lado, estabelecer um ponto de rotura com o "status quo" vigente, mas por outro, não se consegue libertar do jugo da tribo a que pertence, utilizando palavras e expressões mirabolantes, que nalguns casos, acredito que não goste, mas que o livra do rótulo de extraterrestre pelos seus pares. No meu caso, confesso que me divirto mais a tentar decifrar a escrita do canal SMS TV do que a assistir ao quadragésimo terceiro episódio dos Malucos do Riso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, se para estes devaneios da juventude, a atitude correcta é a tolerância, na convicção de que, tal como o "piercing" na língua, também este tipo de escrita desaparecerá com o advento dos dentes do siso, já para o "neo chico-espertismo" tipicamente português confesso que não tenho paciência. Piora um pouco se a proveniência for de alguém que exerça um cargo de elevada responsabilidade perante a Nação. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ouvi há alguns dias um digníssimo deputado da assembleia da República (desconheço-lhe o nome, coloração política, ou mesmo se se mantém em funções após mais esta dança das cadeiras), produzir uma espantosa declaração à comunicação social, introduzindo, algures no seu discurso, as palavras &lt;em&gt;realizaram&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;atendeu. &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estarão todos certamente a pensar por que raio haveria de implicar com estas duas conjugações verbais!!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não terá esta ou qualquer outra pessoa a liberdade de as utilizar as vezes que desejar nas suas construções frásicas?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concordo inteiramente com todos, incluindo os mais exaltados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passo no entanto a explicar!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este famigerado senhor, na ânsia de exibir uma variedade e eloquência vocabular acima da média, considerou, a dada altura da sua exposição, que "as pessoas ainda não &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;realizaram&lt;/span&gt; determinado assunto" e, posteriormente, que "determinada pessoa &lt;span style="color:#ff0000;"&gt;atendeu&lt;/span&gt; a uma conferência". Não é necessário recorrer ao dicionário para perceber o significado de ambas as palavras, mas para as entender neste contexto, nem com a ajuda da mais recente "&lt;em&gt;versão brasilera"&lt;/em&gt;!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Demorei um pouco até perceber o mistério. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Melhor do que dar um sotaque inglês às palavras portuguesas e fazer um brilharete em qualquer situação, qual Zé zé Camarinha no reino dos Algarves, só mesmo pegar nas palavras inglesas, encontrar o mais aproximado equivalente português e utilizá-las no contexto em que seriam empregues no original anglo-saxónico. Infalível, especialmente para impressionar os papalvos que nunca saíram de Cacilhas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que mais me custa no meio de tudo isto é que, se um dia confrontassem este senhor com as monstruosidades que profere em nome da elegância &lt;em&gt;pato bravista, &lt;/em&gt;muito provavelmente  argumentaria que não tinha culpa, que a Assembleia da República não lhe tinha dado um curso de aperfeiçoamento da língua portuguesa e, muito provavelmente, tudo se resolveria com um subsídio da comunidade europeia para o auxílio às vítimas de enxovalhanço literário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Fiquem bem!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;The Jackal&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-111050300544403754?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/111050300544403754/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=111050300544403754' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111050300544403754'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111050300544403754'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/03/realiza-quem-atende.html' title='Realiza quem atende!'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-111024201939028073</id><published>2005-03-07T20:58:00.000Z</published><updated>2005-03-11T01:12:11.276Z</updated><title type='text'>Falta-nos a água ou a omnipresença?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Foi tão grande o júbilo pela recepção de tantas e tão efusivas mensagens de contentamento pela abertura deste espaço de meditação que não caibo em mim de contente. Bem, na verdade apenas recebi duas, e suspeitas por sinal... Mas enfim, se buscasse a glória e a fortuna teria enveredado por uma carreira que me permitisse mandar calar os adeptos das equipas adversárias em pleno estádio, anunciar aos sete ventos que sou o melhor do mundo, e ainda assim ver ofuscada a arrogância da atitude e enaltecida a qualidade máscula de tão viril proeza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adiante!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Durante este interregno, questionei-me acerca do tema sobre o qual mais me agradaria (desculpem-me o egoísmo) dissertar. Depois de muito reflectir, e apesar de saber o quanto movediças podem ser as areias que estou prestes a pisar, decidi que valia a pena o risco da exposição, perante a grandeza do assunto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O tema, retratado no título que resolvi emprestar a este aglomerado de palavras, é tão só o que mais arrastou o pensamento e as vontades do bicho Homem ao longo dos séculos... a religião.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É tão ou tão pouco controverso, que não estando mais de meia dúzia de inócuas palavras escritas neste pequeno texto, já as mesmas provocavam uma acesa e animada discussão entre mim e um excelso interlocutor, que casualmente (ou talvez não), sobre o meu ombro as leu "na diagonal"!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O brilhantismo com que defendeu a sua dama, que rapidamente se transformou em moinho de vento, e depois em terrível demónio, ao sabor do interesse comum deste ou daquele assunto mais esotérico, leva-me quase a adiar pelo cansaço, a dissecação do tema a que me propus. Mas para não defraudar aqueles que, por me saberem sozinho e com tempo de sobra para a ilustre actividade literária (desde que determinada campainha não soe), esperam um produto palpável resultante desta noite, farei um pequeno esforço, que espero terminar antes que comece o período de "televendas" da grelha televisiva!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Falta-nos a água ou a omnipresença?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assisti hoje com alguma letargia ao principal noticiário do canal estatal de Portugal, por três quartos de mim estarem longe (não muito), mas o suficiente para o desconforto ser imenso. Não pude, no entanto, deixar de focalizar toda a minha capacidade de processamento para o que, não muito longe da minha terra de eleição, se retratava, na forma de reportagem barata, sem o mais pequeno laivo de brilhantismo ou qualidade jornalística. Pedia-se, nada mais, nada menos, que a Deus, a divina concessão da queda de algumas moléculas de hidrogénio e oxigénio interligadas (já agora, pois pedir não custa, que viessem na proporção do dobro das primeiras em relação às segundas) por aquelas paragens. Como gostamos sempre de dar algo em troca, fazem-se novenas, organizam-se procissões e rezam-se missas, tantas quantas necessárias até que as ditas desabem em catadupa por esse firmamento abaixo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me chocam os alicerces que as pessoas construam para anular o medo da morte, a sensação de inutilidade perante a ausência de Objectivo de vida, o receio do desconhecido, o sentimento de pertença a uma tribo/comunidade, ou tão somente o desejo de seguir na "carneirada". Não tenho sequer pretensões a influenciar quem quer que seja, pelo simples facto de não conseguir provar o que quer que seja (pois é... sobra a fé, dirão vocês), mas eu digo que devemos parar para pensar um pouco. Parece inocente este pedido genuíno das populações, numa altura de aflição. Longe de mim desdenhar dos sentimentos de cada um, mas, e a omnipresença? Será que Deus estaria descansado a olhar para o lado, que não viu que passou quase um ano desde que ordenou que a chuva caísse por estas terras? Não podia ser, pois é omnipresente. Concerteza não se esqueceria. Estará a castigar-nos pelos actos irreflectidos que temos ao longo da nossa existência diária? Não pode ser, pois pelo seu carácter infinitamente bom, seria incapaz de castigar o todo, pelos deslizes de uma pequena/grande parte. Ainda podem argumentar que é tudo consequência do livre arbítrio e da ausência de interferência que Deus nos concedeu. Pois, mas se assim é, que injustiças cometerá em conceder determinadas excepções àqueles que mais suplicarem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto para que conclusão? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preferiria que, na minha terra, ao invés do tom monocórdico e previsível dos ritos religiosos, se escutassem nas assembleias municipais, nas assembleias de banco de jardim, ou mesmo nas assembleias de balcão, os tons polifónicos das discussões acerca das melhores medidas a tomar para minorar os tempos de agrura com que a natureza nos brindou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por um lado choramos (mal, porque gastamos água, ainda que ligeiramente salgada), mas não dispensamos a lavagem do nosso bem amado automóvel, que estará sempre mais reluzente que o do vizinho. Nem restringimos a rega dos jardins públicos ou privados, pois isso também já é um exagero que roça os limites do ridículo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É certo que muitas medidas devem partir do poder central, mas é preciso vencer a inércia e tomar consciência da necessidade de agir também localmente, ao invés de cumprirmos o mito alentejano da eterna inactividade física e intelectual.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora pensam vocês, está este marmanjo aqui com esta conversa toda, &lt;strong&gt;queira Deus&lt;/strong&gt;, não chova já amanhã, e acaba-se já a razão para este paleio todo. Ainda que assim fosse,teria servido para criar aquilo em que há muito deveríamos já ter pensado - planos de contingência. Planos que, ao invés de tentar remediar a desgraça inevitável, nos permitissem precaver contra uma situação potencialmente preocupante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Teremos seca extrema? Em Abril haverá águas mil?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Nem a Maya sabe a resposta. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entretanto, continuamos a rezar, na esperança de que tudo se resolverá pelo melhor.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Basta que Deus ouça as nossas preces... ou não.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-111024201939028073?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/111024201939028073/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=111024201939028073' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111024201939028073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/111024201939028073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/03/falta-nos-gua-ou-omnipresena.html' title='Falta-nos a água ou a omnipresença?'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11124605.post-110954568560926564</id><published>2005-02-28T07:07:00.000Z</published><updated>2007-06-28T17:57:53.755+01:00</updated><title type='text'>Entrada na Blogosfera</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando, há algum tempo atrás (não especifico qualquer data por não querer passar por "ciberespacialmente" atrasado), li um artigo de jornal que falava da ploriferação dos "blogues" pessoais na comunidade de utilizadores da internet, confesso que subestimei o seu verdadeiro potencial. Pensei, na altura, que apenas quem, com mais ou menos frequência, se pronunciava na comunicação social sobre assuntos de indubitável interesse geral, encontraria espaço nestes novos serviços para um prolongamento da sua actividade literária, votando os mesmos a um nicho elitista de pequena ou média escala.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não podia estar mais enganado!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Assisti, gradualmente, a uma explosão desenfreada de "novos-cronistas", uns mais dotados intelectualmente, outros com a sensibilidade de um tampo de madeira prensada, todos com liberdade plena de expressar o que bem entendessem, com a força e a perenidade que só a escrita pode imprimir! Fiquei particularmente desagradado com a quantidade de calúnias, obscenidades e impropérios de toda a espécie com que me deparei nestes espaços, repetidas uma e outra vez, testando ao limite a célebre reflexão de que uma mentira múltiplas vezes repetida, se poderia transformar em verdade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tudo isto me pôs a pensar na potencial colisão entre a liberdade de expressão de uns e a liberdade/integridade individual de outros, sem uma entidade reguladora (não lhe chamemos censura, porque ainda activa nos dias de hoje o complexo reptiliano a muita gente) que o possa arbitrar. Apesar de tudo, concluí que os prós superavam largamente os contras deste admirável mundo novo, e eis-me então, hoje, a aderir ao que espero não ser um impulso passageiro, mas o início de uma profícua relação com quem achar por bem partilhar comigo as aventuras e desventuras da humanidade no século vinte e um!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um abraço,&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11124605-110954568560926564?l=sirjackal.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sirjackal.blogspot.com/feeds/110954568560926564/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11124605&amp;postID=110954568560926564' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/110954568560926564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11124605/posts/default/110954568560926564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sirjackal.blogspot.com/2005/02/entrada-na-blogosfera.html' title='Entrada na Blogosfera'/><author><name>Afonso Gaiolas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02787799200424180231</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
